Aquecimento global é o aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra ocorrido desde meados do século XX e que deverá continuar no século XXI. Segundo o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (2007), a temperatura na superfície terrestre aumentou 0,74 ± 0,18 °C durante o século XX.[1]
A maior parte do aumento de temperatura observado desde meados do século XX foi causada por concentrações crescentes de gases do efeito estufa, como resultado de atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e a desflorestação.[2][3] O escurecimento global, uma consequência do aumento das concentrações de aerossois atmosféricos que bloqueiam parte da radiação solar antes que esta atinja a superfície da Terra, mascarou parcialmente os efeitos do aquecimento induzido pelos gases de efeito de estufa.
Modelos climáticos referenciados pelo IPCC projetam que as temperaturas globais de superfície provavelmente aumentarão no intervalo entre 1,1 e 6,4 °C entre 1990 e 2100.[3] A variação dos valores reflete o uso de diferentes cenários de futura emissão de gases estufa e resultados de modelos com diferenças na sensibilidade climática. Apesar de a maioria dos estudos ter seu foco no período até o ano 2100, espera-se que o aquecimento e o aumento no nível do mar continuem por mais de um milênio, mesmo que as concentrações de gases estufa se estabilizem.[3]
Um aumento nas temperaturas globais pode, em contrapartida, causar outras alterações, incluindo aumento no nível do mar, mudanças em padrões de precipitação resultando em enchentes e secas.[4] Espera-se que o aquecimento seja mais intenso no Ártico, e estaria associado ao recuo das geleiras, permafrost e gelo marinho. Outros efeitos prováveis incluem alterações na frequência e intensidade de eventos meteorológicos extremos, extinção de espécies e variações na produção agrícola. O aquecimento e as suas consequências variarão de região para região, apesar da natureza destas variações regionais ser incerta.[5] Outra ocorrência global concomitante[6][7] com o aquecimento global que já se verifica e que se prevê continuar no futuro, é a acidificação oceânica, que é também resultado do aumento contemporâneo da concentração de dióxido de carbono atmosférico.
O consenso científico é que o aquecimento global antropogênico está a acontecer.[8][9][10] Porém, o debate público e político sobre o aquecimento global continua. O Protocolo de Quioto visa a estabilização da concentração de gases de efeito estufa para evitar uma "interferência antropogénica perigosa.[11] Em Novembro de 2009 era 187 os estados que assinaram e ratificaram o protocolo
Terminologia
O termo "aquecimento global" é um exemplo específico de mudança climática à escala global. O termo "mudança climática" também pode se referir ao esfriamento global. No uso comum, o termo se refere ao aquecimento ocorrido nas décadas recentes e subentende-se uma influência humana.[13] A Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima (UNFCCC) usa o termo "mudança climática" para mudanças causadas pelo Homem, e "variabilidade climática" para outras mudanças.[14] O termo "alteração climática antropogênica" é por vezes usado quando se fala em mudanças causadas pelo Homem.
Evidências do aquecimento global
Entre as evidências do aquecimento do global incluem-se o aumento observado das temperaturas globais do ar e dos oceanos, o derretimento generalizado dos glaciares e a subida do nível médio do mar.[15][16][17][18][19]
A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações meteorológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correção dos efeitos de "ilhas urbanas" mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6 ± 0.2 °C durante o século XX. Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000.[20] De 1945 a 1976, houve um arrefecimento que fez com que temporariamente a comunidade científica suspeitasse que estava a ocorrer um arrefecimento global.[21]
O aquecimento verificado não foi globalmente uniforme. Durante as últimas décadas, foi em geral superior entre as latitudes de 40°N e 70°N, embora em algumas áreas, como a do Oceano Atlântico Norte, tenha havido um arrefecimento.[22] É muito provável que os continentes tenham aquecido mais do que os oceanos.[20] Há, no entanto que referir que alguns estudos parecem indicar que a variação em irradiação solar pode ter contribuído em cerca de 45–50% para o aquecimento global ocorrido entre 1900 e 2000.
Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global das mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX.
Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 1960. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração dos glaciais e da cobertura de neve das montanhas em regiões não polares durante todo o século XX.[20] No entanto, a retração dos glaciais na Europa já ocorre desde a era Napoleônica e, no Hemisfério Sul, durante os últimos 35 anos, o derretimento apenas aconteceu em cerca de 2% da Antártida; nos restantes 98%, houve um esfriamento e a IPPC estima que a massa da neve deverá aumentar durante este século. Durante as décadas de 1930 e 1940, em que a temperatura de toda a região ártica era superior à de hoje, a retração dos glaciais na Groelândia era maior do que a atual. A diminuição da área dos glaciais ocorrida nos últimos 40 anos, deu-se essencialmente no Ártico, na Rússia e na América do Norte; na Eurásia (no conjunto Europa e Ásia), houve de fato um aumento da área dos glaciais, que se pensa ser devido a um aumento de precipitação.[23]
Estudos divulgados em abril de 2004 procuraram demonstrar que a maior intensidade das tempestades estava relacionada com o aumento da temperatura da superfície da faixa tropical do Atlântico. Esses fatores teriam sido responsáveis, em grande parte, pela violenta temporada de furacões registrada nos Estados Unidos, México e países do Caribe. No entanto, enquanto, por exemplo, no período de quarto-século de 1945-1969, em que ocorreu um ligeiro aquecimento global, houve 80 furacões principais no Atlântico, no período de 1970-1994, quando o globo se submetia a uma tendência de aquecimento, houve apenas 38 furacões principais. O que indica que a atividade dos furacões não segue necessariamente as tendências médias globais da temperatura.[24]
Determinação da temperatura global à superfície
A determinação da temperatura global à superfície é feita a partir de dados recolhidos em terra, sobretudo em estações de medição de temperatura em cidades, e nos oceanos, recolhidos por navios. É feita uma seleção das estações a considerar, que são as que se consideram mais confiáveis, e é feita uma correção no caso de estas se encontrarem perto de urbanizações. As tendências de todas as seções são então combinadas para se chegar a uma temperatura global.
Variação de temperatura na Terra de 1860 até 2004.
O globo é dividido em seções de 5º latitude/5º longitude e é calculada uma média pesada da temperatura mensal média das estações escolhidas em cada seção. As seções para as quais não existem dados são deixadas em branco, sem as estimar a partir das seções vizinhas, e não entram nos cálculos. A média obtida é então comparada com a referência para o período de 1961-1990, obtendo-se o valor da anomalia para cada mês. A partir desses valores é então calculada uma média pesada correspondente à anomalia anual média global para cada Hemisfério e, a partir destas, a anomalia global.[25]
Desde janeiro de 1979, os satélites da NOAA passaram a medir a temperatura da troposfera inferior (de 1000m a 8000m de altitude) através da monitorização das emissões de microondas por parte das moléculas de oxigénio na atmosfera. O seu comprimento de onda está diretamente relacionado com a temperatura (estima-se uma precisão de medida da ordem dos 0.01 °C). Estas medições indicam um aquecimento de menos de 0.1 °C, desde 1979, em vez dos 0.4 °C obtidos a partir dos dados à superfície.
É de notar que os dois conjuntos de dados não divergem na América do Norte, Europa Ocidental e Austrália, onde se pensa que os dados das estações são registrados e mantidos de um modo mais fiável. É apenas fora destas grandes áreas que os dados divergem: onde os dados de satélite mostram uma tendência de evolução quase neutra, os dados das estações à superfície mostram um aquecimento significativo (Dentro da mesma região tropical, enquanto os dados das estações na Malásia e Indonésia mostram um aquecimento, as de Darwin e da ilha de Willis, não.)
Existe controvérsia relativamente à explicação desta divergência. Enquanto alguns pensam que existem erros graves nos dados recolhidos à superfície, e no critério de selecção das estações a considerar, outros põem a hipótese de existir um processo atmosférico desconhecido que explique uma divergência em certas partes do globo entre as duas temperaturas.
Por sua vez, Bjarne Andresen,[26] professor do Niels Bohr Institute da Universidade de Copenhaga, defende que é irrelevante considerar uma única temperatura global para um sistema tão complicado como o clima da Terra. O que é relevante é o carácter heterogéneo do clima e só faz sentido falar de uma temperatura no caso de um sistema homogéneo. Para ele, falar de uma temperatura global do planeta é tão inútil como falar no «número de telefone médio» de uma lista telefónica.
Causas possíveis
O sistema climático terrestre muda em resposta a variações em fatores externos incluindo variações na sua órbita em torno do Sol,[27][28][29] erupções vulcânicas,[30] e concentrações atmosféricas de gases do efeito estufa. As causas detalhadas do aquecimento recente continuam sendo uma área ativa de pesquisa, mas o consenso científico[31][32] identifica os níveis aumentados de gases estufa devido à atividade humana como a principal causa do aquecimento observado desde o início da era industrial. Essa atribuição é mais clara nos últimos 50 anos, para os quais estão disponíveis os dados mais detalhados. Contrastando com o consenso científico, outras hipóteses foram avançadas para explicar a maior parte do aumento observado na temperatura global. Uma dessas hipóteses é que o aquecimento é resultado principalmente da variação na atividade solar.[33][34][35][36][37][38][39][40]
Nenhum dos efeitos produzidos pelos fatores condicionantes é instantâneo. Devido à inércia térmica dos oceanos terrestres e à lenta resposta de outros efeitos indiretos, o clima atual da Terra não está em equilíbrio com o condicionamento que lhe é imposto. Estudos de compromisso climático indicam que ainda que os gases estufa se estabilizassem nos níveis do ano 2000, um aquecimento adicional de aproximadamente 0,5 °C ainda ocorreria.[41]
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Nasa divulga imagens de enorme iceberg que se desprendeu de geleira na Groenlândia
O bloco de gelo é equivalente a um prédio de 50 andares e, se derretido, a água dele seria suficiente para abastecer os Estados Unidos durante quatro meses. A geleira perdeu cerca de 70 km de sua superfície flutuante e o fenômeno foi atribuído ao aquecimento global.
Estudo canadense prevê aquecimento global por séculos

Efeitos serão sentidos mesmo que combustíveis fósseis sejam abandonados
O dióxido de carbono já liberado na atmosfera vai continuar contribuindo para o aquecimento global durante séculos, podendo causar o derretimento de um enorme “lençol” de gelo da Antártida e o aumento dos níveis do mar, disseram cientistas canadenses neste domingo (9).
De acordo com os pesquisadores, ainda que os combustíveis fósseis deixassem de ser usado, continuaria o aquecimento do oceano da Antártida, bem como a desertificação na África do Norte.
No entanto, muitas das consequências negativas no hemisfério norte, como a redução de gelo no Ártico, são reversíveis. Isso significa que os esforços globais para reduzir os gases de efeito de estufa não são um desperdício de esforço e dinheiro, disse Shawn Marshall, professor de geografia da Universidade de Calgary e um dos autores do estudo.
- Mas há alguns elementos do clima que apresentam muita inércia e que levarão muitos séculos para começarmos a revertê-los.
O estudo, liderado por Nathan Gillett, do Centro Canadense de Modelagem e Análise Climática, foi publicado na revista Nature Geoscience.
Usando simulações com um modelo climático, os pesquisadores estimaram os efeitos sobre os padrões de clima para os próximos mil anos, com a interrupção completa das emissões em 2010 e em 2100.De acordo com Marshall, a atmosfera se resfria rapidamente quando os gases atmosféricos são reduzidos, assim como a água da superfície do mar, “mas o resfriamento não atinge as águas profundas do oceano por um longo tempo”.
Correntes de vento no hemisfério sul também podem contribuir para o processo.
Como resultado, nos próximos mil anos, a temperatura média do oceano ao redor da Antártida pode aumentar em até 5°C, provocando o colapso do manto de gelo da Antártida Ocidental, de acordo com o estudo.
A eliminação do manto de gelo, que cobre uma área do tamanho do Texas e tem até 4.000 metros de espessura, poderá elevar os níveis do mar em vários metros.
Os impactos do clima reduzirão a umidade em partes do norte da África em até 30%.
As simulações mostram grandes diferenças em algumas partes do mundo. Porém, entre reduzir as emissões em 2010 ou em 2100, surgem variações de temperatura entre 1°C e 4°C, representando um argumento para a ação de redução imediata das emissões de dióxido de carbono, disse Marshall.
Copyright Thomson Reuters 2011
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domingo, 12 de dezembro de 2010
COP-16 termina em acordo modesto com único voto contra da Bolívia
A conferência da ONU para o clima, a COP-16, terminou em Cancún, no México, na madrugada deste sábado de uma forma inesperada. Contra a expectativa de que não haveria anúncios relevantes ao final do encontro, foram firmadas duas decisões: a criação do Fundo Verde e a extensão do Protocolo de Kyoto para além de 2012, quando expira o tratado.
Perto do final de duas semanas de conversas envolvendo quase 200 países, muitos ministros do Meio Ambiente elogiaram uma proposta do México para quebrar um impasse entre as nações ricas e as pobres sobre corte nas emissões da gases causadores do efeito estufa pelos países desenvolvidos, previsto no Protocolo de Kyoto. O acordo proposto não inclui um compromisso para estender o protocolo além de 2012, quando ele vai expirar, mas evita o fracasso das negociações sobre mudanças climáticas e proporciona alguns pequenos avanços na proteção ao meio ambiente.
Embora os acordos sejam limitados e já vinham sendo discutidos, eles restauraram um pouco da credibilidade perdida em Copenhague. No “trabalho em duplas”, coube ao Brasil e ao Reino Unido buscar o consenso sobre Kyoto e lidar principalmente com a resistência japonesa quanto ao tratado – na sexta-feira, o Japão, a Rússia e o Canadá haviam dito que não participariam da segunda fase de Kyoto.
Renovar ou não o Protocolo de Kyoto foi o grande debate na conferência. Os países opositores a Kyoto exigiam que fossem incluídas reduções das emissões para economias emergentes como Índia e China – esta é um dos maiores poluentes do planeta. Já os grandes países emergentes dizem que não aceitariam um ônus tão grande quanto das nações ricas. Há, ainda, a questão dos Estados Unidos, que até agora não ratificaram Kyoto e a questão segue sem definição. Apesar do consenso, não houve fixação de datas e prazos. Xie Zhenhua, chefe da delegação chinesa em Cancún, afirmou que Pequim apoiava a proposta:
– Embora ainda haja algumas falhas, expressamos nossa satisfação com o acordo – disse.
A China e os Estados Unidos são os dois maiores emissores de gases causadores do efeito estufa. Outros países que emitem larga escala de poluentes são os da União Europeia, a Índia, o Japão e muitas nações desenvolvidas, sendo que todos apoiaram a proposta que definitivamente encerraria uma disputa entre países ricos e pobres sobre o futuro do Protocolo de Kyoto, no próximo ano.
A Bolívia foi o único a se posicionar contra as decisões da COP-16, argumentando que o plano não é suficiente para combater as mudanças climáticas. Segundo a delegação boliviana, elas são tão fracas, que poderiam colocar o planeta em risco. O país vai recorrer à Corte Internacional de Justiça de Haia para contestar o resultado da COP-16. Às 4h no horário local, o presidente mexicano, Felipe Calderon, declarou em discurso que a COP-16 foi um “sucesso”. Ele acrescentou que a “inércia da desconfiança” foi superada finalmente.
– O que temos agora é um texto. Se não é perfeito, é certamente uma boa base para ir em frente – disse o chefe das negociações da ONU, Todd Stern.
A criação do Fundo Verde, que ajudará as nações em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas, também foi anunciada. A União Europeia (UE), Japão e Estados Unidos prometeram doações de até US$ 100 bilhões até 2020. A curto prazo, os países se comprometeram também com uma ajuda imediata de US$ 30 bilhões. O pacote de medidas inclui ainda um mecanismo de proteção das florestas tropicais do planeta, cujo maciço desmatamento provoca 20% das emissões de gás do efeito estufa no mundo, e novos meios de dividir tecnologias de energia limpa.
Perto do final de duas semanas de conversas envolvendo quase 200 países, muitos ministros do Meio Ambiente elogiaram uma proposta do México para quebrar um impasse entre as nações ricas e as pobres sobre corte nas emissões da gases causadores do efeito estufa pelos países desenvolvidos, previsto no Protocolo de Kyoto. O acordo proposto não inclui um compromisso para estender o protocolo além de 2012, quando ele vai expirar, mas evita o fracasso das negociações sobre mudanças climáticas e proporciona alguns pequenos avanços na proteção ao meio ambiente.
Embora os acordos sejam limitados e já vinham sendo discutidos, eles restauraram um pouco da credibilidade perdida em Copenhague. No “trabalho em duplas”, coube ao Brasil e ao Reino Unido buscar o consenso sobre Kyoto e lidar principalmente com a resistência japonesa quanto ao tratado – na sexta-feira, o Japão, a Rússia e o Canadá haviam dito que não participariam da segunda fase de Kyoto.
Renovar ou não o Protocolo de Kyoto foi o grande debate na conferência. Os países opositores a Kyoto exigiam que fossem incluídas reduções das emissões para economias emergentes como Índia e China – esta é um dos maiores poluentes do planeta. Já os grandes países emergentes dizem que não aceitariam um ônus tão grande quanto das nações ricas. Há, ainda, a questão dos Estados Unidos, que até agora não ratificaram Kyoto e a questão segue sem definição. Apesar do consenso, não houve fixação de datas e prazos. Xie Zhenhua, chefe da delegação chinesa em Cancún, afirmou que Pequim apoiava a proposta:
– Embora ainda haja algumas falhas, expressamos nossa satisfação com o acordo – disse.
A China e os Estados Unidos são os dois maiores emissores de gases causadores do efeito estufa. Outros países que emitem larga escala de poluentes são os da União Europeia, a Índia, o Japão e muitas nações desenvolvidas, sendo que todos apoiaram a proposta que definitivamente encerraria uma disputa entre países ricos e pobres sobre o futuro do Protocolo de Kyoto, no próximo ano.
A Bolívia foi o único a se posicionar contra as decisões da COP-16, argumentando que o plano não é suficiente para combater as mudanças climáticas. Segundo a delegação boliviana, elas são tão fracas, que poderiam colocar o planeta em risco. O país vai recorrer à Corte Internacional de Justiça de Haia para contestar o resultado da COP-16. Às 4h no horário local, o presidente mexicano, Felipe Calderon, declarou em discurso que a COP-16 foi um “sucesso”. Ele acrescentou que a “inércia da desconfiança” foi superada finalmente.
– O que temos agora é um texto. Se não é perfeito, é certamente uma boa base para ir em frente – disse o chefe das negociações da ONU, Todd Stern.
A criação do Fundo Verde, que ajudará as nações em desenvolvimento na luta contra as mudanças climáticas, também foi anunciada. A União Europeia (UE), Japão e Estados Unidos prometeram doações de até US$ 100 bilhões até 2020. A curto prazo, os países se comprometeram também com uma ajuda imediata de US$ 30 bilhões. O pacote de medidas inclui ainda um mecanismo de proteção das florestas tropicais do planeta, cujo maciço desmatamento provoca 20% das emissões de gás do efeito estufa no mundo, e novos meios de dividir tecnologias de energia limpa.
EUA, China e UE dizem apoiar texto da COP-16 para reduzir emissões
A China se mostrou "satisfeita" nesta sexta-feira com o texto do México, país que preside a 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-16), e considerou que reflete as visões das distintas partes sobre a necessidade de reduzir as emissões de gases poluentes. O chefe da delegação chinesa, Xie Zhenhua, afirmou que, embora "haja pontos deficientes, estamos satisfeitos" com o texto apresentado.
A União Europeia (UE) e os Estados Unidos também expressaram apoio ao texto final de compromisso no qual se trabalha em Cancún. "Não é perfeito, mas é uma boa base para avançar", disse Todd Stern, enviado especial para Mudança Climática do presidente Barack Obama.
A comissária europeia de Ação pelo Clima, a dinamarquesa Connie Hedegaard, sustentou que os 27 países que integram a UE chegaram à conferência na busca por um "pacote equilibrado" de decisões, algo que teria sido alcançado em Cancún. "O multilateralismo deu resultado", disse Hedegaard, assinalando que no acordo de Copenhague (2009) ficaram marcados os primeiros passos, complementados agora com "medidas substanciais".
A ministra de Relações Exteriores mexicana, Patricia Espinosa, apresentou nesta sexta-feira, após longas e intensas horas de negociações, dois textos de compromissos, um baseado na continuação do Protocolo de Kioto (1997) e outro sobre cooperação a longo prazo (LCA, por sua sigla em inglês).
O acordo assinado na cidade japonesa de Kioto estabelece objetivos obrigatórios de redução de emissões a 37 países industrializados, entre eles Japão, União Europeia (UE), Austrália, Canadá e Rússia, mas não aos Estados Unidos, que nunca ratificaram o documento, nem a China, por ser uma economia emergente.
Os textos, que de maneira geral receberam respaldo das delegações, à exceção da Bolívia, ainda podem ser modificados ou rejeitados pelas delegações.
Entre os prováveis acordos dos textos apresentados por Espinosa está o de criar um Fundo Verde Climático (GCF) dentro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que contaria com um conselho com 24 países-membros. O documento também reconhece a necessidade de "mobilizar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para atender às necessidades dos países em desenvolvimento".
Em relação à transparência, assunto que interessava particularmente aos Estados Unidos, o texto de compromisso prevê que as ações de mitigação sejam submetidas a medição, reporte e verificação de acordo com pautas estabelecidas pela Convenção.
Também pode ser aprovado um acordo que adia a um momento futuro a decisão sobre se haverá ou não uma segunda fase do Protocolo de Kioto, mas que pede que os países elevem seu "nível de ambição" para cortes. Os compromissos da primeira fase do protocolo previam a redução entre 11% e 16% com relação aos níveis de 1990 para o período 2008-2012, enquanto agora se propõe índices de cortes entre 25% e 40% a partir de 2020.
A União Europeia (UE) e os Estados Unidos também expressaram apoio ao texto final de compromisso no qual se trabalha em Cancún. "Não é perfeito, mas é uma boa base para avançar", disse Todd Stern, enviado especial para Mudança Climática do presidente Barack Obama.
A comissária europeia de Ação pelo Clima, a dinamarquesa Connie Hedegaard, sustentou que os 27 países que integram a UE chegaram à conferência na busca por um "pacote equilibrado" de decisões, algo que teria sido alcançado em Cancún. "O multilateralismo deu resultado", disse Hedegaard, assinalando que no acordo de Copenhague (2009) ficaram marcados os primeiros passos, complementados agora com "medidas substanciais".
A ministra de Relações Exteriores mexicana, Patricia Espinosa, apresentou nesta sexta-feira, após longas e intensas horas de negociações, dois textos de compromissos, um baseado na continuação do Protocolo de Kioto (1997) e outro sobre cooperação a longo prazo (LCA, por sua sigla em inglês).
O acordo assinado na cidade japonesa de Kioto estabelece objetivos obrigatórios de redução de emissões a 37 países industrializados, entre eles Japão, União Europeia (UE), Austrália, Canadá e Rússia, mas não aos Estados Unidos, que nunca ratificaram o documento, nem a China, por ser uma economia emergente.
Os textos, que de maneira geral receberam respaldo das delegações, à exceção da Bolívia, ainda podem ser modificados ou rejeitados pelas delegações.
Entre os prováveis acordos dos textos apresentados por Espinosa está o de criar um Fundo Verde Climático (GCF) dentro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que contaria com um conselho com 24 países-membros. O documento também reconhece a necessidade de "mobilizar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para atender às necessidades dos países em desenvolvimento".
Em relação à transparência, assunto que interessava particularmente aos Estados Unidos, o texto de compromisso prevê que as ações de mitigação sejam submetidas a medição, reporte e verificação de acordo com pautas estabelecidas pela Convenção.
Também pode ser aprovado um acordo que adia a um momento futuro a decisão sobre se haverá ou não uma segunda fase do Protocolo de Kioto, mas que pede que os países elevem seu "nível de ambição" para cortes. Os compromissos da primeira fase do protocolo previam a redução entre 11% e 16% com relação aos níveis de 1990 para o período 2008-2012, enquanto agora se propõe índices de cortes entre 25% e 40% a partir de 2020.
COP-16: BRASIL APRESENTA PROPOSTA CONCRETA DE REDUÇÃO DAS EMISSÕES
Cancun, 10 dez (RV) - “O Brasil é primeiro país a apresentar um cenário concreto de redução de emissões (de gás de efeito estufa). A gente está exigindo, mas não de mãos vazias, tem o que apresentar” foi o que declarou a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, durante a COP-16 (Conferência sobre Mudanças Climáticas), em Cancun. A declaração se deve à assinatura, nesta quinta-feira, pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do decreto que regulamenta a política nacional de mudanças climáticas no país.
O decreto define as estratégias para se chegar às metas de redução estipuladas pela lei aprovada em dezembro do ano passado, que definem corte de 36% a 39% das emissões, até 2020. Atualmente, o Brasil emite 1,8 bilhão de toneladas de gás de efeito estufa. Se essas metas redutoras não tivessem sido estipuladas, com um crescimento da economia estimado em 5% ao ano, chegaríamos a 2020 com uma emissão de 3,2 toneladas. Com a assinatura do decreto, o Brasil compromete-se a estar emitindo, na data, 2 bilhões de toneladas.
Outras metas também foram estipuladas, como a redução do desmatamento da Amazônia, do Cerrado, incremento da agricultura, da área energética, da siderurgia, do transporte, da indústria de transformação e de bens de consumo duráveis, da indústria química fina e de base, bem como da indústria de papel e celulose, da mineração, da construção civil e de serviços de saúde.
O desmatamento na Amazônia tem meta de redução em 80% até 2020.
Enquanto isso, os quase 200 países reunidos, há 11 dias, em Cancun, México, passaram a noite de quinta para sexta preparando-se para as conclusões dos trabalhos da Conferência sobre as Mudanças Climáticas, marcada para hoje.
Uma das responsáveis da ONU por essa matéria disse que “um pacote de decisões equilibradas está à mão”. A proposta da Conferência é definir metas concretas para questões como o desflorestamento, o auxílio aos países mais vulneráveis ao aquecimento global, bem como uma definição sobre o que fazer com o Protocolo de Kyoto. E este último ponto é o que causou mais controvérsias ao longo desses 11 dias de reunião.
O Protocolo de Kyoto é o único tratado jurídico internacional atualmente válido sobre a redução da emissão de gás de efeito estufa pelos países industrializados – menos os Estados Unidos, que não assinaram. O dilema está sendo achar uma solução para conciliar as posições de países que se recusam a um segundo período do Protocolo – como a Rússia e o Japão – e aqueles que consideram o segundo período uma condição “não negociável”, que são os grandes países emergentes – Índia, Brasil, China e África do Sul.
Pela primeira vez, a Índia cogitou a idéia de assinar um tratado sobre redução de emissão do gás de efeito estufa. Antes, como a China, o país recusava-se, pois sustentava que a responsabilidade maior seria dos industrializados, que são os que historicamente mais comprometeram o meio ambiente.
O decreto define as estratégias para se chegar às metas de redução estipuladas pela lei aprovada em dezembro do ano passado, que definem corte de 36% a 39% das emissões, até 2020. Atualmente, o Brasil emite 1,8 bilhão de toneladas de gás de efeito estufa. Se essas metas redutoras não tivessem sido estipuladas, com um crescimento da economia estimado em 5% ao ano, chegaríamos a 2020 com uma emissão de 3,2 toneladas. Com a assinatura do decreto, o Brasil compromete-se a estar emitindo, na data, 2 bilhões de toneladas.
Outras metas também foram estipuladas, como a redução do desmatamento da Amazônia, do Cerrado, incremento da agricultura, da área energética, da siderurgia, do transporte, da indústria de transformação e de bens de consumo duráveis, da indústria química fina e de base, bem como da indústria de papel e celulose, da mineração, da construção civil e de serviços de saúde.
O desmatamento na Amazônia tem meta de redução em 80% até 2020.
Enquanto isso, os quase 200 países reunidos, há 11 dias, em Cancun, México, passaram a noite de quinta para sexta preparando-se para as conclusões dos trabalhos da Conferência sobre as Mudanças Climáticas, marcada para hoje.
Uma das responsáveis da ONU por essa matéria disse que “um pacote de decisões equilibradas está à mão”. A proposta da Conferência é definir metas concretas para questões como o desflorestamento, o auxílio aos países mais vulneráveis ao aquecimento global, bem como uma definição sobre o que fazer com o Protocolo de Kyoto. E este último ponto é o que causou mais controvérsias ao longo desses 11 dias de reunião.
O Protocolo de Kyoto é o único tratado jurídico internacional atualmente válido sobre a redução da emissão de gás de efeito estufa pelos países industrializados – menos os Estados Unidos, que não assinaram. O dilema está sendo achar uma solução para conciliar as posições de países que se recusam a um segundo período do Protocolo – como a Rússia e o Japão – e aqueles que consideram o segundo período uma condição “não negociável”, que são os grandes países emergentes – Índia, Brasil, China e África do Sul.
Pela primeira vez, a Índia cogitou a idéia de assinar um tratado sobre redução de emissão do gás de efeito estufa. Antes, como a China, o país recusava-se, pois sustentava que a responsabilidade maior seria dos industrializados, que são os que historicamente mais comprometeram o meio ambiente.
Policiais brigam com manifestantes e imprensa na Cop-16
Houve uma quebra de protocolo no último dia da Conferência do Clima, em Cancún. Marcada pela falta de manifestação, a Cop-16 teve seu momento de confusão que envolveu guardas, a ONG 350.org e a imprensa.
O tumulto começou quando policiais retiraram os manifestantes que se colocaram na frente do prédio do hotel Moon Palace, onde acontecia a plenária da Conferência. O grupo de jovens contava em voz alta até 21 mil - número de mortos em desastres climáticos nos primeiros noves meses deste ano, de acordo com estudo da organização humanitária Oxfam.
Os policiais empurraram mais de 10 jovens para dentro de um ônibus, enquanto parte do grupo gritava “vergonha de você”. Muitos integrantes da ong choraram. Houve início de briga. Depois de despachados os manifestantes, foi a vez do tumulto com a imprensa. Policiais retiraram um fotógrafo da Reuters, que registrava a confusão, e o levaram para outro ônibus.
Foto: AFP
Fotógrafo Jorge Silva, da agência Reuters, é detido por policiais em frente ao hotel onde acontece a Cop-16
Houve mais briga. O fotógrafo apanhou de policiais dentro do ônibus. As pessoas que acompanhava a briga começaram a gritar ”liberem-lo” e a se colocaram na frente do veículo. Guardas tentavam tapar a janela do ônibus com a ajuda de cartazes da manifestação.
O tumulto começou quando policiais retiraram os manifestantes que se colocaram na frente do prédio do hotel Moon Palace, onde acontecia a plenária da Conferência. O grupo de jovens contava em voz alta até 21 mil - número de mortos em desastres climáticos nos primeiros noves meses deste ano, de acordo com estudo da organização humanitária Oxfam.
Os policiais empurraram mais de 10 jovens para dentro de um ônibus, enquanto parte do grupo gritava “vergonha de você”. Muitos integrantes da ong choraram. Houve início de briga. Depois de despachados os manifestantes, foi a vez do tumulto com a imprensa. Policiais retiraram um fotógrafo da Reuters, que registrava a confusão, e o levaram para outro ônibus.
Foto: AFP
Fotógrafo Jorge Silva, da agência Reuters, é detido por policiais em frente ao hotel onde acontece a Cop-16
Houve mais briga. O fotógrafo apanhou de policiais dentro do ônibus. As pessoas que acompanhava a briga começaram a gritar ”liberem-lo” e a se colocaram na frente do veículo. Guardas tentavam tapar a janela do ônibus com a ajuda de cartazes da manifestação.
Acordo da COP-16 adia decisões sobre clima; Bolívia protesta
Ao longo das duas semanas de discussões na 16ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-16), em Cancún, no México, o quadro apontava que nações como Japão ou Rússia poderiam impedir um acordo consensual. Mas a missão coube a um país latino-americano, a Bolívia.
Sob protestos da delegação boliviana, a COP-16 aprovou na madrugada deste sábado, pelo horário local, um texto que adia a decisão sobre um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto. O tratado, que estabelece metas de redução das emissões de gases do efeito estufa para países desenvolvidos, expira no final do ano que vem, quando será realizada a COP-17, em Durban, na África do Sul. Até lá, os países terão, segundo o acordado, de manter conversações na tentativa de não se criar um hiato quanto o tratado expirar.
"Estamos contra essa decisão e invocamos que não existe consenso para sua aprovação. Essa decisão não é um passo à frente, é um passo atrás, porque o que se está fazendo aqui é adiar sem data limite a discussão sobre o Protocolo de Kyoto e se abrindo caminho para um regime muito mais flexível e voluntário e não um sistema que mantém metas para os países do Anexo 1", argumentou o negociador boliviano, Pablo Solón. Apesar da manifestação boliviana, a presidente da COP-16, embaixadora Patrícia Espinosa, ressaltou que o texto resultou de anos de debate entre os países e afirmou que a solitária posição boliviana constaria das atas da conferência.
Os representantes da Bolívia voltaram a protestar e disseram que as regras da ONU que exigem consenso para aprovação de documentos estavam sendo ignoradas. "Consenso quer dizer que não pode haver nenhum Estado que apresente expressamente sua objeção. O que vai ocorrer aqui é um atentado contra as regras que existem no marco das Nações Unidas. Se todas as delegações aqui presentes permitem que esse atropelo ocorra, vão permitir que se apliquem as regras que melhor convêm à maioria formada no momento. Vamos recorrer a todas as instâncias internacionais para preservar a regra do consenso".
Os apelos não surtiram efeito. "A regra do consenso não significa unanimidade, nem a possibilidade de que uma delegação possa impor um direito de veto sobre outras delegações. Não posso - e você compreenderá - ignorar a posição de 193 Estados parte. Assim que a decisão da conferência foi tomada".
Além do compromisso de manter as negociações sobre uma prorrogação do Protocolo de Kyoto, a COP-16 também aprovou o texto da negociação paralela conhecida como LCA (ações de longo prazo), que considera compromisso de países em desenvolvimento e também dos Estados Unidos, que nunca ratificaram o tratado de Kyoto. Mas que apoiaram os textos construídos em Cancún. Assim como o outrora temido Japão, que assinalou seu apoio para que o texto fosse "adotado totalmente como está".
Sob protestos da delegação boliviana, a COP-16 aprovou na madrugada deste sábado, pelo horário local, um texto que adia a decisão sobre um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto. O tratado, que estabelece metas de redução das emissões de gases do efeito estufa para países desenvolvidos, expira no final do ano que vem, quando será realizada a COP-17, em Durban, na África do Sul. Até lá, os países terão, segundo o acordado, de manter conversações na tentativa de não se criar um hiato quanto o tratado expirar.
"Estamos contra essa decisão e invocamos que não existe consenso para sua aprovação. Essa decisão não é um passo à frente, é um passo atrás, porque o que se está fazendo aqui é adiar sem data limite a discussão sobre o Protocolo de Kyoto e se abrindo caminho para um regime muito mais flexível e voluntário e não um sistema que mantém metas para os países do Anexo 1", argumentou o negociador boliviano, Pablo Solón. Apesar da manifestação boliviana, a presidente da COP-16, embaixadora Patrícia Espinosa, ressaltou que o texto resultou de anos de debate entre os países e afirmou que a solitária posição boliviana constaria das atas da conferência.
Os representantes da Bolívia voltaram a protestar e disseram que as regras da ONU que exigem consenso para aprovação de documentos estavam sendo ignoradas. "Consenso quer dizer que não pode haver nenhum Estado que apresente expressamente sua objeção. O que vai ocorrer aqui é um atentado contra as regras que existem no marco das Nações Unidas. Se todas as delegações aqui presentes permitem que esse atropelo ocorra, vão permitir que se apliquem as regras que melhor convêm à maioria formada no momento. Vamos recorrer a todas as instâncias internacionais para preservar a regra do consenso".
Os apelos não surtiram efeito. "A regra do consenso não significa unanimidade, nem a possibilidade de que uma delegação possa impor um direito de veto sobre outras delegações. Não posso - e você compreenderá - ignorar a posição de 193 Estados parte. Assim que a decisão da conferência foi tomada".
Além do compromisso de manter as negociações sobre uma prorrogação do Protocolo de Kyoto, a COP-16 também aprovou o texto da negociação paralela conhecida como LCA (ações de longo prazo), que considera compromisso de países em desenvolvimento e também dos Estados Unidos, que nunca ratificaram o tratado de Kyoto. Mas que apoiaram os textos construídos em Cancún. Assim como o outrora temido Japão, que assinalou seu apoio para que o texto fosse "adotado totalmente como está".
Cobertura completa do Cop 16

Mesmo com Bolívia contra, COP-16 chega a acordo sobre mudanças climáticas
Discussões técnicas dominaram a plenária final da COP-16, Conferência do Clima, que acabou nesta madrugada, em Cancún, no México. A Bolívia foi o único dos 194 países membros a não concordar com o texto apresentado. À revelia dos bolivianos, a presidente da COP, Patrícia Espinosa, aprovou a adoção do pacote balanceado de Cancún. Ele, na verdade, só implementa questões já acordadas anteriormente como financiamento, adaptação, transferência de tecnologia e florestas.
“Este é um atentado contra a Convenção. Temos diferenças, não há consenso para aprovação do documento. Um país tem que ter o mesmo direito dos demais. Consenso não é maioria”, protestou o embaixador boliviano, Pablo Solón.
Já a presidente da COP disse que o consenso não era dar o direito de veto a um único país. “As regras de consenso não significam unanimidade. Sua posição estará na ata da Conferência, mas a decisão está tomada”, declarou. Pelas regras da Convenção, é necessário consenso para que uma decisão seja adotada na COP.
A Bolívia é contra os textos apresentados por dizer que eles não apresentam medidas suficientes para controlar o aumento da temperatura em até 2ºC. “Seguindo as promessas estipuladas teremos um aquecimento de 4 ºC o que levaria a morte de milhares de pessoas”, defende o boliviano.
“Este foi um passo impostergável. Esta é uma questão urgente, ter acesso a tecnologia verde, caminhar para economia de baixo carbono e ao mesmo tempo combater a pobreza”, afirmou o presidente mexicano, Felipe Calderón.
Por sua vez, a representante da Venezuela, Claudia Salerno, disse que irá trabalhar para consolidar todas as opiniões em torno do acordo, que segundo ela, “traz esperança para o futuro”. Em clara alusão de que deve intervir para que a Bolívia não permaneça com sua posição contrária ao acordo. O boliviano chegou a sugerir que procuraria seus direitos internacionais para exigir que o acordo não seja oficializado.
O pacote é chamado de balanceado por abarcar diversos temas considerados chave na questão do aquecimento global. Entre eles, foi decidido como vai funcionar o financiamento de ações de corte de emissões e adaptação às mudanças climáticas em países em desenvolvimento e os mecanismos de transferência de recurso para preservar florestas.
O pacote abarca ainda o comprometimento dos países do Protocolo de Kyoto de que não haverá um intervalo entre as metas legais de redução dos gases do efeito estufa. O primeiro período de compromissos do protocolo vai até 2012 e depois não há outro acordo global que mantenham as metas.
O segundo período de comprometimento de Kyoto, com novas metas para os países desenvolvidos (menos os EUA), não foi atingido apesar de esforços do Brasil e dos países em desenvolvimento. Os países empurraram para a COP-17, em Durban, na África do Sul, quando devem ser decididas novas metas no protocolo e valores a serem adotados.
Veja abaixo os principais pontos dos textos finais:
Financiamento
O Acordo de Copenhague prometia fundos ao mundo, mas só agora foram definidos os mecanismos de implementação dos financiamentos de começo rápido, de longo prazo e do fundo verde.
A grande decisão foi sobre o Fundo Verde, que será “a entidade operacional de mecanismos de financiamento da Convenção”. Ele estará sob responsabilidade da ONU, mas terá o Banco Mundial como tesoureiro nos primeiros três anos. Deverá ser governado por 24 países, divididos igualmente, entre ricos e pobres.
Segundo a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, o fundo já deve estar operando no ano que vem.
O texto diz ainda que uma grande parte de novos fundos multilaterais para adaptação às mudanças climáticas estará sob este fundo, que deverá apoiar projetos, programas, políticas e outras atividades em países em desenvolvimento. Um comitê de transição, com 15 membros dos países desenvolvidos e 25 dos em desenvolvimento, vai criar o fundo.
O financiamento de começo rápido prevê o destino de U$ 30 bilhões de 2010 a 2012, com uma alocação balanceada entre ações de redução e adaptação. O texto pede que os países desenvolvidos forneçam documentos em maio de 2011, 2012 e 2013 com informes dos recursos previstos para cumprir os compromissos e modos de como os países em desenvolvimento terão acesso ao dinheiro.
Já sobre o financiamento a longo prazo ficou decidido que novos fundos devem ser criados em vista às necessidades urgentes e imediatas dos países em desenvolvimento que são vulneráveis às mudanças climáticas. O texto reconhece o compromisso dos países desenvolvidos em doar U$ 100 bilhões por ano até 2020 e que estes recursos poderiam vir de setores privados e públicos e em acordo bi ou multilaterais.
Adaptação
Adaptação às mudanças climáticas ganha destaque no pacote, apesar de não contar com ações práticas determinadas. O texto diz que adaptação precisa da mesma prioridade que a redução das emissões dos gases do efeito estufa.
Para isso, requer acordos formais para reforçar as ações e suporte à adaptação. O fundo para adaptação priorizará os países pobres mais vulneráveis, como os países menos desenvolvidos, pequenas ilhas e África.
Redução das emissões dos gases do efeito esfuta O pacote não faz referência a um acordo legalmente vinculante de metas de gases do efeito estufa, seguindo Kyoto, a partir de 2012. Ele apenas traz para a discussão as promessas voluntária de redução apresentadas no Acordo de Copenhague. Vale lembrar que estas metas, se adotadas perfeitamente, não conseguiriam limitar o aumento da temperatura em 2 º C, o que é estabelecido como limite pelo mesmo documento.
O texto diz que os países desenvolvidos devem apresentar um relatório anual sobre as emissões e um bienal sobre o progresso da redução de emissão. Também devem estabelecer planos para estimar as emissões geradas pelo homem.
Sobre transparência, o documento afirma que ações internacionais de suporte a ações de redução serão medidas domesticamente.
Protocolo de Kyoto
Além dos países concordarem em decidir metas legais o quanto antes e em tempo de evitar um intervalo entre o primeiro e o segundo períodos do Protocolo, o texto sobre o Protocolo ainda reconhece que todos os países desenvolvidos, como um grupo, devem reduzir suas emissões de 25% a 40% comparado com 1990 até 2020.
Para alcançar este objetivo, pede que os países aumentem suas ambições de redução de emissão de gases do efeito estufa, para além das promessas de Copenhague.
Transferência de tecnologia
Em transferência de tecnologia, a definição principal é dar prioridade aos países menos desenvolvidos, desenvolvendo tecnologia nestes países e em parceiras bi ou multilaterais.
Os países ricos devem desenvolver e organizar tecnologia, incluindo pesquisa cooperativa e programas de difusão de tecnologias e conhecimento em países em desenvolvimento, além de acelerar estas ações.
REDD (Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação de floresta)
O pacote balanceado também determina regras para a criação do REDD (Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação de floresta), que proveria recursos para os países preservarem suas florestas (grandes armazenadores de CO2).
O texto diz que países devem coletivamente seguir o objetivo de retardar, deter e reverter a perda de cobertura florestal e de carbono, de acordo com as circunstâncias de cada país.
As chamadas salvaguardas, o respeito ao conhecimento dos povos indígenas e comunidades locais e sua participação como parte integrante, devem ser apoiadas. A mensuração ou verificação destas políticas de salvaguarda foi retirada do texto, um pedido de brasileiros. “MRV (Mensurável, Reportável e Verificável) para salvaguardas não faz sentido”, disse a ministra brasileira.
Esta é uma importante medida para o Brasil, pois, de acordo com Teixeira, “dá outra perspectiva para discutir políticas públicas internacionais sobre o tema”. O Brasil já possui um “precursor” do REDD, o Fundo Amazônia, que recebe doações por diminuir o desmatamento da floresta.
O REDD é uma maneira dos países em desenvolvimento contribuírem com a redução das emissões por desmatamento e degradação florestal. Estima-se que 20% de todas as emissões atuais sejam causadas pelo desmatamento. Brasil e Indonésia possuem os maiores índices no mundo.
Visão a longo prazo
Nas discussões sobre visões para ações a longo prazo, foi estabelecida uma temperatura limite de 2ºC e uma revisão futura para 1,5 ºC. Além disso, as partes concordam com um objetivo final de identificar uma meta global para 2050.
O texto reconhece ainda que as mudanças climáticas representam um urgente problema que precisa de solução por todas as partes e que os países em desenvolvimento precisam alcançar economia sustentada, erradicar pobreza e lidar com mudanças climáticas.
domingo, 7 de março de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
domingo, 14 de fevereiro de 2010
As conseqüências do aquecimento global ....

As conseqüências do aquecimento global para o BrasilO alerta vem sendo dado com insistência, em todo o mundo: o futuro do planeta terra é sombrio. Espécies vão desaparecer, o nível dos oceanos vai subir, a temperatura vai se elevar. E no Brasil? O que vai acontecer por aqui? Pela primeira vez, um estudo científico revela o que deve acontecer no Brasil por causa do aquecimento global.
"Se as geleiras estão derretendo, é porque alguma coisa está acontecendo. O planeta está esquentando", diz a professora Ethel Galliza.
"Olha aí como é que está! Uma hora está quente, uma hora esfria, daqui a pouco está um calor fora do normal. No meu tempo, não era assim", afirma a dona-de-casa Vera Lúcia da Conceição.
A Terra está, sim, mais quente. E não é de hoje. Veja o que aconteceu com o nosso planeta desde 1860. A linha da temperatura média começou a subir no início do século passado. E não parou mais. As barras vermelhas mostram os anos que foram mais quentes do que a média histórica. Desde 1980, o que se vê é uma tendência de aumento do calor.
Projeções científicas dizem que a temperatura média da Terra vai subir quase seis graus até o fim deste século: de 15ºC para 20,8ºC.
O clima no Brasil também está mudando. E a temperatura deve aumentar ainda mais, o que pode ter impacto na vida de cada um de nós. São conclusões de um projeto que está sendo feito em Cachoeira Paulista, no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
Pela primeira vez, as mudanças climáticas no país são analisadas em detalhe, região por região, e se fazem projeções para um futuro não muito distante.
Os pesquisadores já sabem onde a temperatura vai subir mais: na Amazônia. Se o mundo não for capaz de controlar a emissão de gases poluentes, a floresta começa a desaparecer em poucas décadas.
"A partir do ano 2040, 2050, a Amazônia entra em uma fase de colapso. E passaria a ser outro tipo de vegetação, uma vegetação tipo savana ou cerrado", prevê o pesquisador José Antônio Marengo.
A temperatura média na Amazônia pode subir 8 graus até o ano de 2100. No Pantanal, a elevação seria de 6,5 graus. E no Nordeste, 4,5 graus.
Um mapa mostra a região nordestina que seria mais castigada: o semi-árido. E já se fala nos impactos sociais que seriam provocados pela mudança do clima.
"Pode gerar um problema gravíssimo, que é o de refugiados ambientais", afirma Marengo.
Milhares de famílias seriam obrigadas a deixar o sertão e buscariam emprego nas grandes cidades. Nesse cenário, a temperatura média no Brasil, que já é alta, passaria de 25ºC para 29ºC, em 2100.
Os grandes vilões do aquecimento ainda são os americanos, mas a China está chegando perto. Representantes de quase 200 nações estão reunidos em Nairobi, na África. Eles discutem medidas para controlar a emissão de gases que aumentam o efeito estufa, o aquecimento da Terra.
Nesta segunda-feira, o governo brasileiro vai propor a criação de um Fundo Internacional de Combate à Poluição.
Cerca de 75% do volume de gases poluentes emitidos pelo Brasil vêm do desmatamento e das queimadas. Pela proposta do Ministério do Meio Ambiente, os países tropicais receberiam dinheiro para reduzir a emissão de gases na atmosfera.
"Um país só pode receber recurso se ele já reduziu a emissão, então não é um cheque em branco. O valor que um país deve receber é em função do quanto ele evitou de emissão de gases de efeito estufa", esclarece João Paulo Capobianco, secretário do Ministério do Meio Ambiente.
Cada brasileiro produz, por ano, cerca de uma tonelada e meia de gases que chegam à atmosfera, aumentam o calor e ameaçam o bem-estar no planeta.
"Pegou o carro para ir para o trabalho, primeiro, pense duas vezes. Prefira utilizar o sistema de transporte urbano", recomenda Leonardo Lacerda, ambientalista da WWF/Brasil.
"O lixo é uma coisa que eu tenho me preocupado em separar. Hoje em dia eu me preocupo com a reciclagem do lixo", diz a bióloga Solange Fernandes.
"Sabe da história do beija-flor, que botava uma gotinha de água no incêndio? Então, se todo mundo fizesse um pouquinho, melhoraria o globo, você não acha?", sugere a dona-de-casa Sofia Rebelo.
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