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quinta-feira, 24 de março de 2011
Número de mortos na tragédia do Japão chega a 9.700
O número de mortos em consequência do terremoto e do tsunami do dia 11 de março no Japão subiu para 9.700. Os desaparecidos somam 16.501, de acordo com o último boletim da Polícia japonesa.
Treze dias depois do terremoto de 9 graus no litoral nordeste do Japão, o pior desastre natural no país após a Segunda Guerra Mundial, a previsão é que o número de vítimas ainda aumente, enquanto se tenta reconstruir as estruturas danificadas para atender aos desabrigados. Cerca de 200 mil pessoas deixaram suas casas e estão vivendo provisoriamente em um dos 2.000 abrigos oferecidos pelo governo.
Segundo os números oficiais, em Miyagi houve 5.714 mortos, além de 2.939 em Iwate e 812 em Fukushima, enquanto os desaparecidos são contados aos milhares nessas três Províncias, as mais devastadas.
A emissora de TV NHK disse que o menor número de vítimas na província de Fukushima pode ser explicado pela suspensão das tarefas de busca no perímetro de evacuação de 20 km ao redor da instável usina nuclear de Fukushima Daiichi.
Nessa área de exclusão há localidades litorâneas muito afetadas pelo terremoto e o posterior tsunami, como Futaba e Minami Soma. Segundo os dados da Polícia japonesa, há pelo menos 18 mil casas destruídas e 130 mil edifícios danificados, sobretudo nas áreas litorâneas do nordeste.
A estrada de Tohoku, que liga Tóquio às áreas mais devastadas pelo terremoto do dia 11, foi reaberta ao tráfego nesta quinta-feira (24) pela primeira vez, informou a NHK. Os 300 km de estrada entre a capital japonesa e Utsunomiya, na Província de Tochigi, e Ichinoseki, em Iwate, foram reabertos às 6h da hora local (18h de quarta-feira pelo horário de Brasília). Desde o terremoto do dia 11, o Japão é atingido por fortes réplicas e em praticamente todos os dias há um tremor de mais de 6 graus na escala Richter.
Treze dias depois do terremoto de 9 graus no litoral nordeste do Japão, o pior desastre natural no país após a Segunda Guerra Mundial, a previsão é que o número de vítimas ainda aumente, enquanto se tenta reconstruir as estruturas danificadas para atender aos desabrigados. Cerca de 200 mil pessoas deixaram suas casas e estão vivendo provisoriamente em um dos 2.000 abrigos oferecidos pelo governo.
Segundo os números oficiais, em Miyagi houve 5.714 mortos, além de 2.939 em Iwate e 812 em Fukushima, enquanto os desaparecidos são contados aos milhares nessas três Províncias, as mais devastadas.
A emissora de TV NHK disse que o menor número de vítimas na província de Fukushima pode ser explicado pela suspensão das tarefas de busca no perímetro de evacuação de 20 km ao redor da instável usina nuclear de Fukushima Daiichi.
Nessa área de exclusão há localidades litorâneas muito afetadas pelo terremoto e o posterior tsunami, como Futaba e Minami Soma. Segundo os dados da Polícia japonesa, há pelo menos 18 mil casas destruídas e 130 mil edifícios danificados, sobretudo nas áreas litorâneas do nordeste.
A estrada de Tohoku, que liga Tóquio às áreas mais devastadas pelo terremoto do dia 11, foi reaberta ao tráfego nesta quinta-feira (24) pela primeira vez, informou a NHK. Os 300 km de estrada entre a capital japonesa e Utsunomiya, na Província de Tochigi, e Ichinoseki, em Iwate, foram reabertos às 6h da hora local (18h de quarta-feira pelo horário de Brasília). Desde o terremoto do dia 11, o Japão é atingido por fortes réplicas e em praticamente todos os dias há um tremor de mais de 6 graus na escala Richter.
Forte tremor atinge o Japão enquanto operários de usina nuclear são internados
Um terremoto de 6,1 graus na escala Richter com epicentro no Oceano Pacífico, em frente à costa da Província japonesa de Iwate, sacudiu nesta quinta-feira (24) o nordeste do Japão.
Até o momento não houve informações sobre danos ou vítimas, e o tremor não levou a um alerta de tsunami. Também não há informações sobre se o terremoto interferiu nos trabalhos de resfriamento da usina nuclear de Fukushima, onde operários tiveram que ser internados por causa da exposição à radioatividade nesta quinta-feira.
Segundo a Agência Meteorológica do Japão, o terremoto, que foi sentido em Tóquio, teve em Ishinomaki, no litoral da Província de Miyagi, intensidade de 5 na escala fechada japonesa com máximo de 7.
A zona foi uma das mais atingidas pelo tsunami do dia 11. O epicentro do tremor, a 20 km de profundidade, foi situado na mesma zona que a maioria das 700 réplicas que sacudiram o nordeste japonês desde o devastador terremoto de 9 graus na escala Richter e o posterior tsunami.
A Agência Meteorológica do Japão indicou que o novo terremoto pode provocar leves mudanças no nível do mar, embora não tenha emitido alerta de tsunami.
O terremoto teve intensidade de 4 na escala japonesa nas Províncias de Iwate e Miyagi, onde se registrou a maior parte dos mais de 26 mil mortos e desaparecidos do grande terremoto ocorrido há 13 dias.
Em Tóquio, cujos edifícios estão especialmente preparados para resistir a sismos, o tremor chegou a ser sentido com intensidade 2 na escala japonesa.
Trabalhadores de usina foram internados
Dois operários da usina nuclear de Fukushima, severamente afetada pelo terremoto do dia 11, foram hospitalizados nesta quinta-feira depois de terem sido expostos à radiação excessiva enquanto trabalhavam para levar cabos elétricos ao reator número 3, informou a emissora de televisão NHK.
Os dois funcionários, junto com um terceiro trabalhador que não precisou ser levado ao hospital, receberam radiação entre 170 e 180 milisievert, segundo a emissora, que cita fontes da Agência de Segurança Nuclear do Japão.
Os feridos eram terceirizados da Tokyo Electric Power Company (Tepco), a empresa operadora da central, e trabalhavam para estender o cabo elétrico ao edifício de turbinas que se encontra em frente ao reator 3.
Os dois foram levados ao hospital da cidade de Fukushima, e de lá devem ser transferidos para um instituto especial de radioatividade na cidade de Chiba, no leste do Japão.
Nesta quarta-feira (23), um dos trabalhadores empenhados em evitar o desastre na usina já havia sido exposto a uma alta dose de radiação que poderia elevar o risco de câncer, segundo a AIEA (agência nuclear da ONU).
Resfriamento
O resfriamento do reator 3 foi retomado com o lançamento de água para resfriar sua piscina de combustível. Em seis horas, as equipes militares e de bombeiros injetaram entre 4 e 5 toneladas de água na piscina, segundo a Agência de Segurança Nuclear. As operações estavam paralisadas por conta de uma fumaça preta que saía do reator desde quarta-feira. O reator 3 já tem luz na sala de controle e é o único dos seis da central que usa como combustível uma mistura de urânio e plutônio (MOX). Os operários da Tepco também lutam para controlar a situação nos reatores 1, 2 e 4. Nos reatores 5 e 6, a eletricidade e o resfriamento foram restabelecidos.
Radiação chegou à água e alimentos
A radioatividade na água de Tóquio registrou queda nesta quinta-feira, voltando a níveis seguros para consumo, inclusive por bebês. Nesta quarta-feira, o governo da capital japonesa advertiu os pais para que não dessem água da torneira para as crianças com menos de um ano devido ao alto índice de iodo radioativo.
O problema, no entanto, continua na cidade de Kawaguchi, onde os índices ainda estão altos.
O governo federal recomendou também que não sejam consumidas verduras como espinafre, brócolis e couve produzidas na Província de Fukushima, onde está localizada a usina nuclear danificada.
O governo do Japão ainda pediu que a população não beba leite e não coma salsinha da Província vizinha de Ibaraki devido a níveis de radiação superiores ao normal.
Segundo indicou em entrevista coletiva Yukio Edano, porta-voz do Executivo japonês, essas medidas foram adotadas "por precaução".
Japoneses resgatam golfinho em plantação de arroz após tsunami
Diversas espécies de animais também viraram vítimas do terremoto e do tsunami que arrasou o nordeste do Japão no último dia 11.
Na região de Sendai, devastada pelas ondas de até 10 m de altura, dois voluntários resgataram um golfinho que foi arrastado pelo tsunami e ficou preso em uma plantação de arroz inundada.
O morador local Ryo Taira encontrou o animal lutando para sobreviver na água rasa na última terça-feira (22) e fez diversas tentativas de capturá-lo com uma rede, sem sucesso.
Por fim, o japonês decidiu que o melhor seria mesmo entrar no campo de arroz e agarrar o golfinho, de 1,2 m de comprimento, com as próprias mãos.
Na região de Sendai, devastada pelas ondas de até 10 m de altura, dois voluntários resgataram um golfinho que foi arrastado pelo tsunami e ficou preso em uma plantação de arroz inundada.
O morador local Ryo Taira encontrou o animal lutando para sobreviver na água rasa na última terça-feira (22) e fez diversas tentativas de capturá-lo com uma rede, sem sucesso.
Por fim, o japonês decidiu que o melhor seria mesmo entrar no campo de arroz e agarrar o golfinho, de 1,2 m de comprimento, com as próprias mãos.
terça-feira, 22 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Japão decide aposentar usina nuclear de Fukushima
O Japão vai desativar o complexo nuclear de Fukushima devido ao acidente que afetou as instalações da usina após o terremoto seguido de tsunami do último dia 11, informou neste domingo (20) o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano.
Ele afirmou em sua entrevista diária sobre a crise nuclear que, "observando a situação objetivamente, está claro" que as instalações atômicas de Fukushima não serão novamente utilizadas.
A central de Fukushima, no leste do Japão, cerca de 250 km ao norte de Tóquio, seria fechada logo após as autoridades terem controlado a fuga de material radioativo e a alta temperatura que desestabiliza os núcleos dos reatores.
Esta é a primeira vez que o governo fala publicamente sobre o futuro da usina, em torno da qual se estabeleceu um perímetro de segurança mínimo de 20 km.
A central segue sofrendo problemas na maioria de seus seis reatores, mas as unidades 5 e 6 já têm acesso à eletricidade para ativar os sistemas de refrigeração e o reator 2 foi conectado neste domingo à corrente elétrica para que ele possa ser resfriado com suas bombas d'água.
Isso garante certa tranquilidade na usina, mas o reator 3 preocupa os especialistas da Tepco - companhia operadora da central -, já que a pressão na parte de contenção do núcleo poderia continuar aumentando.
Por enquanto, a Tepco considera que a pressão se estabilizou e que será liberada pressão para a piscina de supressão na base do reator.
Ele afirmou em sua entrevista diária sobre a crise nuclear que, "observando a situação objetivamente, está claro" que as instalações atômicas de Fukushima não serão novamente utilizadas.
A central de Fukushima, no leste do Japão, cerca de 250 km ao norte de Tóquio, seria fechada logo após as autoridades terem controlado a fuga de material radioativo e a alta temperatura que desestabiliza os núcleos dos reatores.
Esta é a primeira vez que o governo fala publicamente sobre o futuro da usina, em torno da qual se estabeleceu um perímetro de segurança mínimo de 20 km.
A central segue sofrendo problemas na maioria de seus seis reatores, mas as unidades 5 e 6 já têm acesso à eletricidade para ativar os sistemas de refrigeração e o reator 2 foi conectado neste domingo à corrente elétrica para que ele possa ser resfriado com suas bombas d'água.
Isso garante certa tranquilidade na usina, mas o reator 3 preocupa os especialistas da Tepco - companhia operadora da central -, já que a pressão na parte de contenção do núcleo poderia continuar aumentando.
Por enquanto, a Tepco considera que a pressão se estabilizou e que será liberada pressão para a piscina de supressão na base do reator.
sábado, 19 de março de 2011
Japão detecta alto nível de radioatividade em alimentos perto de Fukushima
Apesar da preocupação, governo diz que níveis não chegam a afetar a saúde
O governo do Japão detectou altos níveis de radioatividade em leite e produtos agrícolas perto da usina nuclear de Fukushima, embora tenha assegurado que a contaminação "não representa risco imediato".
O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse neste sábado (19) que o governo tomará as medidas adequadas e não descarta possíveis restrições na distribuição de produtos da região.
Edano precisou que na tarde de sexta-feira (18) se detectou um "alto nível de radiação" em leite produzido em Fukushima, e, neste sábado, em espinafres cultivados na vizinha província de Ibaraki.
O anúncio acontece em meio à preocupação com a possível exposição da população à radioatividade após o acidente nuclear da usina de Fukushima, afetada pelo terremoto e o posterior tsunami do dia 11.
O Ministério da Saúde enviou especialistas a Fukushima e a Ibaraki para que realizem uma investigação no terreno, enquanto as autoridades provinciais estudam quais medidas adotar. Edano assegurou que o governo continuará compilando dados sobre os níveis de radiação em alimentos para coordenar suas políticas e evitar que se propaguem rumores que afetem injustamente outros produtores locais.
Japão tenta religar energia em Fukushima
Técnicos japoneses conseguiram religar o sistema de resfriamento nos reatores 5 e 6 da usina de Fukushima, e agora batalham para fazer o mesmo nos demais e retomar o funcionamento de cabos de energia fora de serviço. A intenção é bombear água para as piscinas onde ficam os reatores, em mais uma tentativa de conter o superaquecimento e o vazamento de radiação.
O acidente no Japão já é tão grave quanto o de Three Mile Island, em 1979, nos Estados Unidos, de acordo com autoridades japonesas, usando a escala de classificação da AIEA.
Cerca de 300 técnicos trabalham no complexo de Fukushima, expondo a própria saúde ao perigo da radiação. Mais cem homens se uniram à tarefa neste sábado. Aproximadamente 200 mil pessoas foram retiradas de um raio de 20 km ao redor da usina.
O complexo de Fukushima foi danificado pelo tsunami e pelo forte terremoto de 9 graus que atingiu o país há uma semana. O desastre deixou quase 7.000 mortos e mais de 10 mil desaparecidos.
Governo
O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse nesta sexta-feira estar convencido de que o país será "capaz de emergir da crise" após o terremoto.
Kan reconheceu que a crise nuclear da usina de Fukushima Daiichi é "grave", mas se mostrou com esperanças de que "os problemas sejam resolvidos em breve". Em seu discurso pela televisão, ao vivo, ele também fez um apelo à unidade dos japoneses e afirmou que "não há espaço para o pessimismo nesta crise".
O governo do Japão detectou altos níveis de radioatividade em leite e produtos agrícolas perto da usina nuclear de Fukushima, embora tenha assegurado que a contaminação "não representa risco imediato".
O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse neste sábado (19) que o governo tomará as medidas adequadas e não descarta possíveis restrições na distribuição de produtos da região.
Edano precisou que na tarde de sexta-feira (18) se detectou um "alto nível de radiação" em leite produzido em Fukushima, e, neste sábado, em espinafres cultivados na vizinha província de Ibaraki.
O anúncio acontece em meio à preocupação com a possível exposição da população à radioatividade após o acidente nuclear da usina de Fukushima, afetada pelo terremoto e o posterior tsunami do dia 11.
O Ministério da Saúde enviou especialistas a Fukushima e a Ibaraki para que realizem uma investigação no terreno, enquanto as autoridades provinciais estudam quais medidas adotar. Edano assegurou que o governo continuará compilando dados sobre os níveis de radiação em alimentos para coordenar suas políticas e evitar que se propaguem rumores que afetem injustamente outros produtores locais.
Japão tenta religar energia em Fukushima
Técnicos japoneses conseguiram religar o sistema de resfriamento nos reatores 5 e 6 da usina de Fukushima, e agora batalham para fazer o mesmo nos demais e retomar o funcionamento de cabos de energia fora de serviço. A intenção é bombear água para as piscinas onde ficam os reatores, em mais uma tentativa de conter o superaquecimento e o vazamento de radiação.
O acidente no Japão já é tão grave quanto o de Three Mile Island, em 1979, nos Estados Unidos, de acordo com autoridades japonesas, usando a escala de classificação da AIEA.
Cerca de 300 técnicos trabalham no complexo de Fukushima, expondo a própria saúde ao perigo da radiação. Mais cem homens se uniram à tarefa neste sábado. Aproximadamente 200 mil pessoas foram retiradas de um raio de 20 km ao redor da usina.
O complexo de Fukushima foi danificado pelo tsunami e pelo forte terremoto de 9 graus que atingiu o país há uma semana. O desastre deixou quase 7.000 mortos e mais de 10 mil desaparecidos.
Governo
O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse nesta sexta-feira estar convencido de que o país será "capaz de emergir da crise" após o terremoto.
Kan reconheceu que a crise nuclear da usina de Fukushima Daiichi é "grave", mas se mostrou com esperanças de que "os problemas sejam resolvidos em breve". Em seu discurso pela televisão, ao vivo, ele também fez um apelo à unidade dos japoneses e afirmou que "não há espaço para o pessimismo nesta crise".
Novo terremoto no Japão atinge área próxima de Fukushima
Um terremoto de magnitude preliminar 6,1 atingiu o norte do Japão neste sábado (19), segundo informações da rede de televisão NHK, acrescentando que o epicentro do abalo foi próximo da usina nuclear de Fukushima, fortemente afetada pelo terremoto ocorrido há uma semana.
Não havia ameaças de tsunami e nenhum dano ou acidente havia sido relatado, segundo a NHK.
O Japão tem sido atingido por diversos abalos desde que um forte terremoto seguido por tsunami atingiu a costa nordeste do país em 11 de março, desencadeando uma crise de energia nuclear.
Também neste sábado (19), técnicos japoneses conseguiram religar o sistema de resfriamento nos reatores 5 e 6 da usina de Fukushima, e agora batalham para fazer o mesmo nos demais e retomar o funcionamento de cabos de energia fora de serviço. A intenção é bombear água para as piscinas onde ficam os reatores, em mais uma tentativa de conter o superaquecimento e o vazamento de radiação.
O acidente no Japão já é tão grave quando o de Three Mile Island, em 1979, nos Estados Unidos, de acordo com autoridades japonesas, usando a escala de classificação da AIEA.
Cerca de 300 técnicos trabalham no complexo de Fukushima, expondo a própria saúde ao perigo da radiação. Mais 100 homens se uniram à tarefa neste sábado. Aproximadamente 200 mil pessoas foram retiradas de um raio de 20 km ao redor da usina.
O complexo de Fukushima foi danificado pelo tsunami e pelo forte terremoto de 9 graus que atingiu o país há uma semana. O desastre deixou quase 7.000 mortos e mais de dez mil desaparecidos.
Governo
O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse nesta sexta-feira estar convencido de que o país será "capaz de emergir da crise" após o terremoto.
Kan reconheceu que a crise nuclear da usina de Fukushima Daiichi é "grave", mas se mostrou com esperanças de que "os problemas sejam resolvidos em breve". Em seu discurso pela televisão, ao vivo, ele também fez um apelo à unidade dos japoneses e afirmou que "não há espaço para o pessimismo nesta crise".
Não havia ameaças de tsunami e nenhum dano ou acidente havia sido relatado, segundo a NHK.
O Japão tem sido atingido por diversos abalos desde que um forte terremoto seguido por tsunami atingiu a costa nordeste do país em 11 de março, desencadeando uma crise de energia nuclear.
Também neste sábado (19), técnicos japoneses conseguiram religar o sistema de resfriamento nos reatores 5 e 6 da usina de Fukushima, e agora batalham para fazer o mesmo nos demais e retomar o funcionamento de cabos de energia fora de serviço. A intenção é bombear água para as piscinas onde ficam os reatores, em mais uma tentativa de conter o superaquecimento e o vazamento de radiação.
O acidente no Japão já é tão grave quando o de Three Mile Island, em 1979, nos Estados Unidos, de acordo com autoridades japonesas, usando a escala de classificação da AIEA.
Cerca de 300 técnicos trabalham no complexo de Fukushima, expondo a própria saúde ao perigo da radiação. Mais 100 homens se uniram à tarefa neste sábado. Aproximadamente 200 mil pessoas foram retiradas de um raio de 20 km ao redor da usina.
O complexo de Fukushima foi danificado pelo tsunami e pelo forte terremoto de 9 graus que atingiu o país há uma semana. O desastre deixou quase 7.000 mortos e mais de dez mil desaparecidos.
Governo
O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, disse nesta sexta-feira estar convencido de que o país será "capaz de emergir da crise" após o terremoto.
Kan reconheceu que a crise nuclear da usina de Fukushima Daiichi é "grave", mas se mostrou com esperanças de que "os problemas sejam resolvidos em breve". Em seu discurso pela televisão, ao vivo, ele também fez um apelo à unidade dos japoneses e afirmou que "não há espaço para o pessimismo nesta crise".
quinta-feira, 17 de março de 2011
Greenpeace pede suspensão de Angra III
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo concedida ontem, o presidente da Comissão Nacional de Energia Atômica, Odair Gonçalves, comentou o vazamento radioativo de Fukushima e afirmou que o governo reverá as normas de licenciamento das usinas nucleares no Brasil. “Vai haver agora uma análise profunda da avaliação desse risco. Isso será divulgado para o mundo inteiro e, na medida do possível, será preciso retificar as normas de licenciamento que vão levar em conta esse acidente. Nos reatores que estão operando, haverá medidas para evitar o superaquecimento”, disse.
Diante da declaração de Odair, o Greenpeace Brasil decidiu pedir à Justiça a suspensão da licença de operação concedida à terceira fase da planta de Angra III em 2010, até que essas novas normas de licenciamento sejam fixadas, protegendo a vida e a integridade física dos habitantes de Angra dos Reis e de todo o estado do Rio de Janeiro.
Leia abaixo o documento enviado ao Procurador do Ministério Público Federal em Angra dos Reis (RJ) Fernando Lavieri.
“Como já é de amplo conhecimento público, o recente acidente ocorrido em usinas nucleares no Japão, com o vazamento de material radioativo, causou graves problemas sociais, ambientais e econômicos, dentre eles a evacuação de 210 mil pessoas e prejuízos estimados em U$171 bilhões.
Esta catástrofe despertou em diferentes países do mundo o debate sobre a necessidade de uma ampla revisão dos procedimentos de segurança para a construção e o funcionamento de instalações nucleares.
O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Gonçalves, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo (página A 11, edição do dia 14/3/2011) disse que “vai haver agora uma análise profunda da avaliação desse risco. Isso será divulgado para o mundo inteiro e, na medida do possível, será preciso retificar as normas de licenciamento que vão levar em conta esse acidente. Nos reatores que estão operando, haverá medidas para evitar o superaquecimento”.
Devido à clara necessidade de se revisar as regras de licenciamento para construção, instalação e operacionalização de instalações nucleares, solicitamos a adoção de medidas administrativas e jurídicas para suspender a licença de operação concedida à terceira fase da Usina Termonuclear de Angra (Angra III) em 2010, até que essas novas normas de licenciamento sejam fixadas, protegendo a vida e a integridade física dos habitantes de Angra dos Reis e de todo o estado do Rio de Janeiro.
Em relação às usinas de Angra I e II, já em funcionamento, pedimos que o seu funcionamento seja completamente adaptado às normas de licenciamento e funcionamento que serão revisadas, incluindo o seu Plano de Segurança de Acidentes Nucleares, que só prevê a evacuação de pessoas em um raio de até 5Km, contrariando o que se faz na maioria dos países, a exemplo do Japão, onde a área de exclusão é de 20Km.”
Diante da declaração de Odair, o Greenpeace Brasil decidiu pedir à Justiça a suspensão da licença de operação concedida à terceira fase da planta de Angra III em 2010, até que essas novas normas de licenciamento sejam fixadas, protegendo a vida e a integridade física dos habitantes de Angra dos Reis e de todo o estado do Rio de Janeiro.
Leia abaixo o documento enviado ao Procurador do Ministério Público Federal em Angra dos Reis (RJ) Fernando Lavieri.
“Como já é de amplo conhecimento público, o recente acidente ocorrido em usinas nucleares no Japão, com o vazamento de material radioativo, causou graves problemas sociais, ambientais e econômicos, dentre eles a evacuação de 210 mil pessoas e prejuízos estimados em U$171 bilhões.
Esta catástrofe despertou em diferentes países do mundo o debate sobre a necessidade de uma ampla revisão dos procedimentos de segurança para a construção e o funcionamento de instalações nucleares.
O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Gonçalves, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo (página A 11, edição do dia 14/3/2011) disse que “vai haver agora uma análise profunda da avaliação desse risco. Isso será divulgado para o mundo inteiro e, na medida do possível, será preciso retificar as normas de licenciamento que vão levar em conta esse acidente. Nos reatores que estão operando, haverá medidas para evitar o superaquecimento”.
Devido à clara necessidade de se revisar as regras de licenciamento para construção, instalação e operacionalização de instalações nucleares, solicitamos a adoção de medidas administrativas e jurídicas para suspender a licença de operação concedida à terceira fase da Usina Termonuclear de Angra (Angra III) em 2010, até que essas novas normas de licenciamento sejam fixadas, protegendo a vida e a integridade física dos habitantes de Angra dos Reis e de todo o estado do Rio de Janeiro.
Em relação às usinas de Angra I e II, já em funcionamento, pedimos que o seu funcionamento seja completamente adaptado às normas de licenciamento e funcionamento que serão revisadas, incluindo o seu Plano de Segurança de Acidentes Nucleares, que só prevê a evacuação de pessoas em um raio de até 5Km, contrariando o que se faz na maioria dos países, a exemplo do Japão, onde a área de exclusão é de 20Km.”
Engenheiros conseguem conectar cabo de energia em usina no Japão
Agência diz que Japão pretende conectar energia após lançamento de água.
Volta da eletricidade seria passo positivo para refrigerar reatores.
O Japão informou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que engenheiros conseguiram colocar um cabo de energia da rede externa na unidade número 2 da usina nuclear de Fukushima, informou a ONU nesta quinta-feira (17). "Eles planejam religar a energia à unidade 2 assim que o lançamento de água sobre a unidade do reator 3 tiver finalizado", informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em um comunicado.A AIEA acrescentou que pretende "voltar a conectar a energia à unidade 2, uma vez que o borrifado de água sobre o edifício do reator da unidade 3 tenha sido completado".
A volta da eletricidade seria um passo positivo nos trabalhos para iniciar o sistema de refrigeração do reator, que como os outros cinco de Fukushima foi atingido após o terremoto e posterior tsunami da sexta-feira passada.
A AIEA já assinalou nos últimos dias que o compartimento de contenção do reator 2 está parcialmente danificada, o que agrava um risco de fuga radioativa.
Desde a manhã desta quinta-feira, trabalhadores tentaram na quinta-feira conectar um cabo de energia de 1 quilômetro de extensão da rede principal para reiniciar as bombas de água a fim de resfriar o reator número 2.Outras tentativas
O Japão voltou a utilizar nesta quinta-feira um helicoptero para jogar água sobre o reator 3 superaquecido na usina nuclear de Fukushima, no Japão. Na quarta (16), a forte radioatividade na central impediu a aproximação do helicóptero para resfriar o combustível que ameaça entrar em fusão e a operação teve de ser adiada.
Segundo informações da emissora NHK, também são usados canhões d'água para resfriar o reator 3 do complexo de Daiichi, que contém combustível de plutônio e tem sido a principal prioridade das autoridades. Outros helicópteros estão preparados para participar nas operações na central.
'Os 50 de Fukushima'
Os 50 trabalhadores que permaneceram nas instalações da central de Fukushima para resfriar os reatores danificados e o material irradiado são os novos heróis do Japão.
Em um ambiente contaminado pelos altos níveis de radiação, estes funcionários da companhia Tokyo Electric Power tentam resolver os problemas provocados pelo colapso dos sistemas de resfriamento e alimentação elétrica da central.
saiba mais
Este colapso já causou a fusão parcial de três dos reatores da central e a exposição das barras de combustível, que também ameaçam entrar em fusão, ao ar livre, liberando na atmosfera quantidades consideráveis de elementos radioativos.
Estes últimos trabalhadores presentes na central, após o terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira, foram retirados do local brevemente na quarta-feira, quando o nível de radioatividade aumentou de maneira alarmante.
Volta da eletricidade seria passo positivo para refrigerar reatores.
O Japão informou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que engenheiros conseguiram colocar um cabo de energia da rede externa na unidade número 2 da usina nuclear de Fukushima, informou a ONU nesta quinta-feira (17). "Eles planejam religar a energia à unidade 2 assim que o lançamento de água sobre a unidade do reator 3 tiver finalizado", informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em um comunicado.A AIEA acrescentou que pretende "voltar a conectar a energia à unidade 2, uma vez que o borrifado de água sobre o edifício do reator da unidade 3 tenha sido completado".
A volta da eletricidade seria um passo positivo nos trabalhos para iniciar o sistema de refrigeração do reator, que como os outros cinco de Fukushima foi atingido após o terremoto e posterior tsunami da sexta-feira passada.
A AIEA já assinalou nos últimos dias que o compartimento de contenção do reator 2 está parcialmente danificada, o que agrava um risco de fuga radioativa.
Desde a manhã desta quinta-feira, trabalhadores tentaram na quinta-feira conectar um cabo de energia de 1 quilômetro de extensão da rede principal para reiniciar as bombas de água a fim de resfriar o reator número 2.Outras tentativas
O Japão voltou a utilizar nesta quinta-feira um helicoptero para jogar água sobre o reator 3 superaquecido na usina nuclear de Fukushima, no Japão. Na quarta (16), a forte radioatividade na central impediu a aproximação do helicóptero para resfriar o combustível que ameaça entrar em fusão e a operação teve de ser adiada.
Segundo informações da emissora NHK, também são usados canhões d'água para resfriar o reator 3 do complexo de Daiichi, que contém combustível de plutônio e tem sido a principal prioridade das autoridades. Outros helicópteros estão preparados para participar nas operações na central.
'Os 50 de Fukushima'
Os 50 trabalhadores que permaneceram nas instalações da central de Fukushima para resfriar os reatores danificados e o material irradiado são os novos heróis do Japão.
Em um ambiente contaminado pelos altos níveis de radiação, estes funcionários da companhia Tokyo Electric Power tentam resolver os problemas provocados pelo colapso dos sistemas de resfriamento e alimentação elétrica da central.
saiba mais
Este colapso já causou a fusão parcial de três dos reatores da central e a exposição das barras de combustível, que também ameaçam entrar em fusão, ao ar livre, liberando na atmosfera quantidades consideráveis de elementos radioativos.
Estes últimos trabalhadores presentes na central, após o terremoto seguido de tsunami da última sexta-feira, foram retirados do local brevemente na quarta-feira, quando o nível de radioatividade aumentou de maneira alarmante.
Outra Tragédia nuclear que marcou o mundo
Acidente nuclear de Chernobil
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O acidente nuclear de Chernobil ocorreu dia 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Lenin) na Ucrânia (então parte da União Soviética). É considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido, com a liberação de 400 vezes mais contaminação que a bomba que foi lançada sobre Hiroshima.[1] Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas,[2] resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas.
Cerca de 60% de radioatividade caiu em território bielorrusso.
O acidente fez crescer preocupações sobre a segurança da indústria nuclear soviética, diminuindo sua expansão por muitos anos, e forçando o governo soviético a ser menos secreto. Os agora separados países de Rússia, Ucrânia e Bielorrússia têm suportado um contínuo e substancial custo de descontaminação e cuidados de saúde devidos ao acidente de Chernobil. É difícil dizer com precisão o número de mortos causados pelos eventos de Chernobil, devido às mortes esperadas por câncer, que ainda não ocorreram e são difíceis de atribuir especificamente ao acidente. Um relatório da Organização das Nações Unidas de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e nove crianças com câncer da tireóide – e estimou que cerca de 4000 pessoas morrerão de doenças relacionadas com o acidente.[2] O Greenpeace, entre outros, contesta as conclusões do estudo.
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O governo soviético procurou esconder o ocorrido da comunidade mundial, até que a radiação em altos níveis foi detectada em outros países. Segue um trecho do pronunciamento do líder da União Soviética, na época do acidente, Mikhail Gorbachev, quando o governo admitiu a ocorrência:
' Boa tarde, meus camaradas. Todos vocês sabem que houve um inacreditável erro – o acidente na usina nuclear de Chernobyl. Ele afetou duramente o povo soviético, e chocou a comunidade internacional. Pela primeira vez, nós confrontamos a força real da energia nuclear, fora de controle. '
A instalação
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A usina de Chernobil está situada no assentamento de Pripyat, Ucrânia, 18 quilômetros a noroeste da cidade de Chernobil, 16 quilômetros da fronteira com a Bielorrússia, e cerca de 110 quilômetros ao norte de Kiev. A usina era composta por quatro reatores, cada um capaz de produzir um gigawatt de energia elétrica (3,2 gigawatts de energia térmica). Em conjunto, os quatro reatores produziam cerca de 10% da energia elétrica utilizada pela Ucrânia na época do acidente. A construção da instalação começou na década de 1970, com o reator nº 1 comissionado em 1977, seguido pelo nº 2 (1978), nº 3 (1981), e nº 4 (1983). Dois reatores adicionais (nº 5 e nº 6, também capazes de produzir um gigawatt cada) estavam em construção na época do acidente. As quatro unidades geradoras usavam um tipo de reator chamado RBMK-1000
O acidente
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Sábado, 26 de abril de 1986, à 1:23:58 a.m. hora local, o quarto reator da usina de Chernobil - conhecido como Chernobil-4 - sofreu uma catastrófica explosão de vapor que resultou em incêndio, uma série de explosões adicionais, e um derretimento nuclear.
Causas
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Há duas teorias oficiais, mas contraditórias, sobre a causa do acidente. A primeira foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, exclusivamente, aos operadores da usina. A segunda teoria foi publicada em 1991 e atribuiu o acidente a defeitos no projeto do reator RBMK, especificamente nas hastes de controle. Ambas teorias foram fortemente apoiadas por diferentes grupos, inclusive os projetistas dos reatores, pessoal da usina de Chernobil, e o governo. Alguns especialistas independentes agora acreditam que nenhuma teoria estava completamente certa. Na realidade o que aconteceu foi uma conjunção das duas, sendo que a possibilidade de defeito no reator foi exponencialmente agravado pelo erro humano.
Porém o fator mais importante foi que Anatoly Dyatlov, engenheiro chefe responsável pela realização de testes nos reatores, mesmo sabendo que o reator era perigoso em algumas condições e contra os parâmetros de segurança dispostos no manual de operação, levou a efeito intencionalmente a realização de um teste de redução de potência que resultou no desastre. A gerência da instalação era composta em grande parte de pessoal não qualificado em RBMK: o diretor, V.P. Bryukhanov, tinha experiência e treinamento em usina termo-elétrica a carvão. Seu engenheiro chefe, Nikolai Fomin, também veio de uma usina convencional. O próprio Anatoli Dyatlov, ex-engenheiro chefe dos Reatores 3 e 4, somente tinha "alguma experiência com pequenos reatores nucleares".
Em particular:
O reator tinha um fração de vazio positivo perigosamente alto. Dito de forma simples, isto significa que se bolhas de vapor se formam na água de resfriamento, a reação nuclear se acelera, levando à sobrevelocidade se não houver intervenção. Pior, com carga baixa, este coeficiente a vazio não era compensado por outros fatores, os quais tornavam o reator instável e perigoso. Os operadores não tinham conhecimento deste perigo e isto não era intuitivo para um operador não treinado.
Um defeito mais significativo do reator era o projeto das hastes de controle. Num reator nuclear, hastes de controle são inseridas no reator para diminuir a reação. Entretanto, no projeto do reator RBMK, as pontas das hastes de controle eram feitas de grafite e os extensores (as áreas finais das hastes de controle acima das pontas, medindo um metro de comprimento) eram ocas e cheias de água, enquanto o resto da haste - a parte realmente funcional que absorve os nêutrons e portanto pára a reação - era feita de carbono-boro. Com este projeto, quando as hastes eram inseridas no reator, as pontas de grafite deslocavam uma quantidade do resfriador (água). Isto aumenta a taxa de fissão nuclear, uma vez que o grafite é um moderador de nêutrons mais potente. Então nos primeiros segundos após a ativação das hastes de controle, a potência do reator aumenta, em vez de diminuir, como desejado. Este comportamento do equipamento não é intuitivo (ao contrário, o esperado seria que a potência começasse a baixar imediatamente), e, principalmente, não era de conhecimento dos operadores.
Os operadores violaram procedimentos, possivelmente porque eles ignoravam os defeitos de projeto do reator. Também muitos procedimentos irregulares contribuíram para causar o acidente. Um deles foi a comunicação ineficiente entre os escritórios de segurança (na capital, Kiev) e os operadores encarregados do experimento conduzido naquela noite.
É importante notar que os operadores desligaram muitos dos sistemas de proteção do reator, o que era proibido pelos guias técnicos publicados, a menos que houvesse mau funcionamento.
De acordo com o relatório da Comissão do Governo, publicado em agosto de 1986, os operadores removeram pelo menos 204 hastes de controle do núcleo do reator (de um total de 211 deste modelo de reator). O mesmo guia (citado acima) proibia a operação do RBMK-1000 com menos de 15 hastes dentro da zona do núcleo.
Eventos
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Dia 25 de abril de 1986, o reator da Unidade 4 estava programado para ser desligado para manutenção de rotina. Foi decidido usar esta oportunidade para testar a capacidade do gerador do reator para gerar suficiente energia para manter seus sistemas de segurança (em particular, as bombas de água) no caso de perda do suprimento externo de energia. Reatores como o de Chernobil têm um par de geradores diesel disponível como reserva, mas eles não são ativados instantaneamente – o reator é portanto usado para partir a turbina, a um certo ponto a turbina seria desconectada do reator e deixada a rodar sob a força de sua inércia rotacional, e o objetivo do teste era determinar se as turbinas, na sua fase de queda de rotação, poderiam alimentar as bombas enquanto o gerador estivesse partindo. O teste foi realizado com sucesso previamente em outra unidade (com as medidas de proteção ativas) e o resultado foi negativo (isto é, as turbinas não geravam suficiente energia, na fase de queda de rotação, para alimentar as bombas), mas melhorias adicionais foram feitas nas turbinas, o que levou à necessidade de repetir os testes.
A potência de saída do reator 4 devia ser reduzida de sua capacidade nominal de 3,2 GW para 700 MW a fim de realizar o teste com baixa potência, mais segura. Porém, devido à demora em começar a experiência, os operadores do reator reduziram a geração muito rapidamente, e a saída real foi de somente 30 MW. Como resultado, a concentração de nêutrons absorvendo o produto da fissão, xenon-135, aumentou (este produto é tipicamente consumido num reator em baixa carga). Embora a escala de queda de potência estivesse próxima ao máximo permitido pelos regulamentos de segurança, a gerência dos operadores decidiu não desligar o reator e continuar o teste. Ademais, foi decidido abreviar o experimento e aumentar a potência para apenas 200 MW. A fim de superar a absorção de neutrons do excesso de xenon-135, as hastes de controle foram puxadas para fora do reator mais rapidamente que o permitido pelos regulamentos de segurança. Como parte do experimento, à 1:05 de 26 de abril, as bombas que foram alimentadas pelo gerador da turbina foram ligadas; o fluxo de água gerado por essa ação excedeu o especificado pelos regulamentos de segurança. O fluxo de água aumentou à 1:19 – uma vez que a água também absorve nêutrons. Este adicional incremento no fluxo de água requeria a remoção manual das hastes de controle, produzindo uma condição de operação altamente instável e perigosa.
À 1:23, o teste começou. A situação instável do reator não se refletia, de nenhuma maneira, no painel de controle, e não parece que algum dos operadores estivesse totalmente consciente do perigo. A energia para as bombas de água foi cortada, e como elas foram conduzidas pela inércia do gerador da turbina, o fluxo de água decresceu. A turbina foi desconectada do reator, aumentando o nível de vapor no núcleo do reator. À medida que o líquido resfriador aquecia, bolsas de vapor se formavam nas linhas de resfriamento. O projeto peculiar do reator moderado a grafite RBMK em Chernobil tem um grande coeficiente de vazio positivo, o que significa que a potência do reator aumenta rapidamente na ausência da absorção de nêutrons da água, e nesse caso a operação do reator torna-se progressivamente menos estável e mais perigosa.
À 1:23 os operadores pressionaram o botão AZ-5 (Defesa Rápida de Emergência 5) que ordenou uma inserção total de todas as hastes de controle, incluindo as hastes de controle manual que previamente haviam sido retiradas sem cautela. Não está claro se isso foi feito como medida de emergência, ou como uma simples método de rotina para desligar totalmente o reator após a conclusão do experimento (o reator estava programado para ser desligado para manutenção de rotina). É usualmente sugerido que a parada total foi ordenada como resposta à inesperada subida rápida de potência. Por outro lado Anatoly Syatlov, engenheiro chefe da usina Nuclear de Chernobil na época do acidente, escreveu em seu livro:
Antes de 01:23, os sistemas do controle central... não registravam nenhuma mudança de parâmetros que pudessem justificar a parada total. A Comissão...juntou e analisou grande quantidade de material, e declarou em seu relatório que falhou em determinar a razão pela qual a parada total foi ordenada. Não havia necessidade de procurar pela razão. O reator simplesmente foi desligado após a conclusão do experimento.
Devido à baixa velocidade do mecanismo de inserção das hastes de controle (20 segundos para completar), as partes ocas das hastes e o deslocamento temporário do resfriador, a parada total provocou o aumento da velocidade da reação. O aumento da energia de saída causou a deformação dos canais das hastes de controle. As hastes travaram após serem inseridas somente um terço do caminho, e foram portanto incapazes de conter a reação. Por volta de 1:23:47, o a potência do reator aumentou para cerca de 30GW, dez vezes a potência normal de saída. As hastes de combustível começaram a derreter e a pressão de vapor rapidamente aumentou causando uma grande explosão de vapor, deslocando e destruindo a cobertura do reator, rompendo os tubos de resfriamento e então abrindo um buraco no teto.
Para reduzir custos, e devido a seu grande tamanho, o reator foi construído com somente contenção parcial. Isto permitiu que os contaminantes radioativos escapassem para a atmosfera depois que a explosão de vapor queimou os vasos de pressão primários. Depois que parte do teto explodiu, a entrada de oxigênio – combinada com a temperatura extremamente alta do combustível do reator e do grafite moderador – produziu um incêndio da grafite. Este incêndio contribuiu para espalhar o material radioativo e contaminar as áreas vizinhas.
Há alguma controvérsia sobre a exata sequência de eventos após 1:22:30 (hora local) devido a inconsistências entre declaração das testemunhas e os registros da central. A versão mais comumente aceita é descrita a seguir. De acordo a esta teoria, a primeira explosão aconteceu aproximadamente à 1:23:47, sete segundos após o operador ordenar a parada total. É algumas vezes afirmado que a explosão aconteceu antes ou imediatamente em seguida à parada total (esta é a versão do Comitê Soviético que estudou o acidente). Esta distinção é importante porque, se o reator tornou-se crítico vários segundos após a ordem de parada total, esta falha seria atribuída ao projeto das hastes de controle, enquanto a explosão simultânea à ordem de parada total seria atribuída à ação dos operadores. De fato, um fraco evento sísmico foi registrado na área de Chernobil à 1:23:39. Este evento poderia ter sido causado pela explosão ou poderia ser coincidente. A situação é complicada pelo fato de que o botão de parada total foi pressionado mais de uma vez, e a pessoa que o pressionou morreu duas semanas após o acidente, envenenada pela radiação.
Sequência de eventos
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26 de abril de 1986 - Acidente no reator 4, da Central Elétrica Nuclear de Chernobil. Aconteceu à noite, entre 25 e 26 de abril de 1986, durante um teste. A equipe operacional planejou testar se as turbinas poderiam produzir energia suficiente para manter as bombas do líquido de refrigeração funcionando, no caso de uma perda de potência, até que o gerador de emergência, a óleo diesel, fosse ativado. Para prevenir o bom andamento do teste do reator, foram desligados os sistemas de segurança. Para o teste, o reator teve que ter sua capacidade operacional reduzida para 25%. Este procedimento não saiu de acordo com planejado. Por razões desconhecidas, o nível de potência de reator caiu para menos de 1% e por isso a potência teve que ser aumentada. Mas 30 segundos depois do começo do teste, houve um aumento de potência repentina e inesperada. O sistema de segurança do reator, que deveria ter parado a reação de cadeia, falhou. Em frações de segundo, o nível de potência e temperatura subiram em demasia. O reator ficou descontrolado. Houve uma explosão violenta. A cobertura de proteção, de 1000 toneladas, não resistiu. A temperatura de mais de 2000°C, derreteu as hastes de controle. A grafite que cobria o reator pegou fogo. Material radiativo começou a ser lançado na atmosfera.
de 26 de abril até 4 de maio de 1986 - a maior parte da radiação foi emitida nos primeiros dez dias. Inicialmente houve predominância de ventos norte e noroeste. No final de abril o vento mudou para sul e sudeste. As chuvas locais frequentes fizeram com que a radiação fosse distribuída local e regionalmente.
de 27 de abril a 5 de maio de 1986 - aproximadamente 1800 helicópteros jogaram cerca de 5000 toneladas de material extintor, como areia e chumbo, sobre o reator que ainda queimava.
27 de abril de 1986 - os habitantes da cidade de Pripyat foram evacuados.
28 de abril 1986, 23 horas - um laboratório de pesquisas nucleares da Dinamarca anunciou a ocorrência do acidente nuclear em Chernobil.
O "sarcófago" que abriga o reator 4, construído para conter a radiação liberada pelo acidente.
29 de abril de 1986 - o acidente nuclear de Chernobil foi divulgado como notícia pela primeira vez, na Alemanha.
até 5 de maio 1986 - durante os 10 dias após o acidente, 130 mil pessoas foram evacuadas.
6 de maio de 1986 - cessou a emissão radioativa.
de 15 a 16 de maio de 1986 - novos focos de incêndio e emissão radioativa.
23 de maio de 1986 - o governo soviético ordenou a distribuição de solução de iodo à população.
Novembro de 1986 - o "sarcófago" que abriga o reator foi concluído. Ele destina-se a absorver a radiação e conter o combustível remanescente. Considerado uma medida provisória e construído para durar de 20 a 30 anos, seu maior problema é a falta de estabilidade, pois, como foi construído às pressas, há risco de ferrugem nas vigas.
1989 - o governo russo embargou a construção dos reatores 5 e 6 da usina.
12 de dezembro de 2000 - depois de várias negociações internacionais, a usina de Chernobil foi desativada.
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O acidente nuclear de Chernobil ocorreu dia 26 de abril de 1986, na Usina Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Lenin) na Ucrânia (então parte da União Soviética). É considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioatividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido, com a liberação de 400 vezes mais contaminação que a bomba que foi lançada sobre Hiroshima.[1] Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas,[2] resultando na evacuação e reassentamento de aproximadamente 200 mil pessoas.
Cerca de 60% de radioatividade caiu em território bielorrusso.
O acidente fez crescer preocupações sobre a segurança da indústria nuclear soviética, diminuindo sua expansão por muitos anos, e forçando o governo soviético a ser menos secreto. Os agora separados países de Rússia, Ucrânia e Bielorrússia têm suportado um contínuo e substancial custo de descontaminação e cuidados de saúde devidos ao acidente de Chernobil. É difícil dizer com precisão o número de mortos causados pelos eventos de Chernobil, devido às mortes esperadas por câncer, que ainda não ocorreram e são difíceis de atribuir especificamente ao acidente. Um relatório da Organização das Nações Unidas de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e nove crianças com câncer da tireóide – e estimou que cerca de 4000 pessoas morrerão de doenças relacionadas com o acidente.[2] O Greenpeace, entre outros, contesta as conclusões do estudo.
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O governo soviético procurou esconder o ocorrido da comunidade mundial, até que a radiação em altos níveis foi detectada em outros países. Segue um trecho do pronunciamento do líder da União Soviética, na época do acidente, Mikhail Gorbachev, quando o governo admitiu a ocorrência:
' Boa tarde, meus camaradas. Todos vocês sabem que houve um inacreditável erro – o acidente na usina nuclear de Chernobyl. Ele afetou duramente o povo soviético, e chocou a comunidade internacional. Pela primeira vez, nós confrontamos a força real da energia nuclear, fora de controle. '
A instalação
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A usina de Chernobil está situada no assentamento de Pripyat, Ucrânia, 18 quilômetros a noroeste da cidade de Chernobil, 16 quilômetros da fronteira com a Bielorrússia, e cerca de 110 quilômetros ao norte de Kiev. A usina era composta por quatro reatores, cada um capaz de produzir um gigawatt de energia elétrica (3,2 gigawatts de energia térmica). Em conjunto, os quatro reatores produziam cerca de 10% da energia elétrica utilizada pela Ucrânia na época do acidente. A construção da instalação começou na década de 1970, com o reator nº 1 comissionado em 1977, seguido pelo nº 2 (1978), nº 3 (1981), e nº 4 (1983). Dois reatores adicionais (nº 5 e nº 6, também capazes de produzir um gigawatt cada) estavam em construção na época do acidente. As quatro unidades geradoras usavam um tipo de reator chamado RBMK-1000
O acidente
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Sábado, 26 de abril de 1986, à 1:23:58 a.m. hora local, o quarto reator da usina de Chernobil - conhecido como Chernobil-4 - sofreu uma catastrófica explosão de vapor que resultou em incêndio, uma série de explosões adicionais, e um derretimento nuclear.
Causas
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Há duas teorias oficiais, mas contraditórias, sobre a causa do acidente. A primeira foi publicada em agosto de 1986, e atribuiu a culpa, exclusivamente, aos operadores da usina. A segunda teoria foi publicada em 1991 e atribuiu o acidente a defeitos no projeto do reator RBMK, especificamente nas hastes de controle. Ambas teorias foram fortemente apoiadas por diferentes grupos, inclusive os projetistas dos reatores, pessoal da usina de Chernobil, e o governo. Alguns especialistas independentes agora acreditam que nenhuma teoria estava completamente certa. Na realidade o que aconteceu foi uma conjunção das duas, sendo que a possibilidade de defeito no reator foi exponencialmente agravado pelo erro humano.
Porém o fator mais importante foi que Anatoly Dyatlov, engenheiro chefe responsável pela realização de testes nos reatores, mesmo sabendo que o reator era perigoso em algumas condições e contra os parâmetros de segurança dispostos no manual de operação, levou a efeito intencionalmente a realização de um teste de redução de potência que resultou no desastre. A gerência da instalação era composta em grande parte de pessoal não qualificado em RBMK: o diretor, V.P. Bryukhanov, tinha experiência e treinamento em usina termo-elétrica a carvão. Seu engenheiro chefe, Nikolai Fomin, também veio de uma usina convencional. O próprio Anatoli Dyatlov, ex-engenheiro chefe dos Reatores 3 e 4, somente tinha "alguma experiência com pequenos reatores nucleares".
Em particular:
O reator tinha um fração de vazio positivo perigosamente alto. Dito de forma simples, isto significa que se bolhas de vapor se formam na água de resfriamento, a reação nuclear se acelera, levando à sobrevelocidade se não houver intervenção. Pior, com carga baixa, este coeficiente a vazio não era compensado por outros fatores, os quais tornavam o reator instável e perigoso. Os operadores não tinham conhecimento deste perigo e isto não era intuitivo para um operador não treinado.
Um defeito mais significativo do reator era o projeto das hastes de controle. Num reator nuclear, hastes de controle são inseridas no reator para diminuir a reação. Entretanto, no projeto do reator RBMK, as pontas das hastes de controle eram feitas de grafite e os extensores (as áreas finais das hastes de controle acima das pontas, medindo um metro de comprimento) eram ocas e cheias de água, enquanto o resto da haste - a parte realmente funcional que absorve os nêutrons e portanto pára a reação - era feita de carbono-boro. Com este projeto, quando as hastes eram inseridas no reator, as pontas de grafite deslocavam uma quantidade do resfriador (água). Isto aumenta a taxa de fissão nuclear, uma vez que o grafite é um moderador de nêutrons mais potente. Então nos primeiros segundos após a ativação das hastes de controle, a potência do reator aumenta, em vez de diminuir, como desejado. Este comportamento do equipamento não é intuitivo (ao contrário, o esperado seria que a potência começasse a baixar imediatamente), e, principalmente, não era de conhecimento dos operadores.
Os operadores violaram procedimentos, possivelmente porque eles ignoravam os defeitos de projeto do reator. Também muitos procedimentos irregulares contribuíram para causar o acidente. Um deles foi a comunicação ineficiente entre os escritórios de segurança (na capital, Kiev) e os operadores encarregados do experimento conduzido naquela noite.
É importante notar que os operadores desligaram muitos dos sistemas de proteção do reator, o que era proibido pelos guias técnicos publicados, a menos que houvesse mau funcionamento.
De acordo com o relatório da Comissão do Governo, publicado em agosto de 1986, os operadores removeram pelo menos 204 hastes de controle do núcleo do reator (de um total de 211 deste modelo de reator). O mesmo guia (citado acima) proibia a operação do RBMK-1000 com menos de 15 hastes dentro da zona do núcleo.
Eventos
................................................................................................
Dia 25 de abril de 1986, o reator da Unidade 4 estava programado para ser desligado para manutenção de rotina. Foi decidido usar esta oportunidade para testar a capacidade do gerador do reator para gerar suficiente energia para manter seus sistemas de segurança (em particular, as bombas de água) no caso de perda do suprimento externo de energia. Reatores como o de Chernobil têm um par de geradores diesel disponível como reserva, mas eles não são ativados instantaneamente – o reator é portanto usado para partir a turbina, a um certo ponto a turbina seria desconectada do reator e deixada a rodar sob a força de sua inércia rotacional, e o objetivo do teste era determinar se as turbinas, na sua fase de queda de rotação, poderiam alimentar as bombas enquanto o gerador estivesse partindo. O teste foi realizado com sucesso previamente em outra unidade (com as medidas de proteção ativas) e o resultado foi negativo (isto é, as turbinas não geravam suficiente energia, na fase de queda de rotação, para alimentar as bombas), mas melhorias adicionais foram feitas nas turbinas, o que levou à necessidade de repetir os testes.
A potência de saída do reator 4 devia ser reduzida de sua capacidade nominal de 3,2 GW para 700 MW a fim de realizar o teste com baixa potência, mais segura. Porém, devido à demora em começar a experiência, os operadores do reator reduziram a geração muito rapidamente, e a saída real foi de somente 30 MW. Como resultado, a concentração de nêutrons absorvendo o produto da fissão, xenon-135, aumentou (este produto é tipicamente consumido num reator em baixa carga). Embora a escala de queda de potência estivesse próxima ao máximo permitido pelos regulamentos de segurança, a gerência dos operadores decidiu não desligar o reator e continuar o teste. Ademais, foi decidido abreviar o experimento e aumentar a potência para apenas 200 MW. A fim de superar a absorção de neutrons do excesso de xenon-135, as hastes de controle foram puxadas para fora do reator mais rapidamente que o permitido pelos regulamentos de segurança. Como parte do experimento, à 1:05 de 26 de abril, as bombas que foram alimentadas pelo gerador da turbina foram ligadas; o fluxo de água gerado por essa ação excedeu o especificado pelos regulamentos de segurança. O fluxo de água aumentou à 1:19 – uma vez que a água também absorve nêutrons. Este adicional incremento no fluxo de água requeria a remoção manual das hastes de controle, produzindo uma condição de operação altamente instável e perigosa.
À 1:23, o teste começou. A situação instável do reator não se refletia, de nenhuma maneira, no painel de controle, e não parece que algum dos operadores estivesse totalmente consciente do perigo. A energia para as bombas de água foi cortada, e como elas foram conduzidas pela inércia do gerador da turbina, o fluxo de água decresceu. A turbina foi desconectada do reator, aumentando o nível de vapor no núcleo do reator. À medida que o líquido resfriador aquecia, bolsas de vapor se formavam nas linhas de resfriamento. O projeto peculiar do reator moderado a grafite RBMK em Chernobil tem um grande coeficiente de vazio positivo, o que significa que a potência do reator aumenta rapidamente na ausência da absorção de nêutrons da água, e nesse caso a operação do reator torna-se progressivamente menos estável e mais perigosa.
À 1:23 os operadores pressionaram o botão AZ-5 (Defesa Rápida de Emergência 5) que ordenou uma inserção total de todas as hastes de controle, incluindo as hastes de controle manual que previamente haviam sido retiradas sem cautela. Não está claro se isso foi feito como medida de emergência, ou como uma simples método de rotina para desligar totalmente o reator após a conclusão do experimento (o reator estava programado para ser desligado para manutenção de rotina). É usualmente sugerido que a parada total foi ordenada como resposta à inesperada subida rápida de potência. Por outro lado Anatoly Syatlov, engenheiro chefe da usina Nuclear de Chernobil na época do acidente, escreveu em seu livro:
Antes de 01:23, os sistemas do controle central... não registravam nenhuma mudança de parâmetros que pudessem justificar a parada total. A Comissão...juntou e analisou grande quantidade de material, e declarou em seu relatório que falhou em determinar a razão pela qual a parada total foi ordenada. Não havia necessidade de procurar pela razão. O reator simplesmente foi desligado após a conclusão do experimento.
Devido à baixa velocidade do mecanismo de inserção das hastes de controle (20 segundos para completar), as partes ocas das hastes e o deslocamento temporário do resfriador, a parada total provocou o aumento da velocidade da reação. O aumento da energia de saída causou a deformação dos canais das hastes de controle. As hastes travaram após serem inseridas somente um terço do caminho, e foram portanto incapazes de conter a reação. Por volta de 1:23:47, o a potência do reator aumentou para cerca de 30GW, dez vezes a potência normal de saída. As hastes de combustível começaram a derreter e a pressão de vapor rapidamente aumentou causando uma grande explosão de vapor, deslocando e destruindo a cobertura do reator, rompendo os tubos de resfriamento e então abrindo um buraco no teto.
Para reduzir custos, e devido a seu grande tamanho, o reator foi construído com somente contenção parcial. Isto permitiu que os contaminantes radioativos escapassem para a atmosfera depois que a explosão de vapor queimou os vasos de pressão primários. Depois que parte do teto explodiu, a entrada de oxigênio – combinada com a temperatura extremamente alta do combustível do reator e do grafite moderador – produziu um incêndio da grafite. Este incêndio contribuiu para espalhar o material radioativo e contaminar as áreas vizinhas.
Há alguma controvérsia sobre a exata sequência de eventos após 1:22:30 (hora local) devido a inconsistências entre declaração das testemunhas e os registros da central. A versão mais comumente aceita é descrita a seguir. De acordo a esta teoria, a primeira explosão aconteceu aproximadamente à 1:23:47, sete segundos após o operador ordenar a parada total. É algumas vezes afirmado que a explosão aconteceu antes ou imediatamente em seguida à parada total (esta é a versão do Comitê Soviético que estudou o acidente). Esta distinção é importante porque, se o reator tornou-se crítico vários segundos após a ordem de parada total, esta falha seria atribuída ao projeto das hastes de controle, enquanto a explosão simultânea à ordem de parada total seria atribuída à ação dos operadores. De fato, um fraco evento sísmico foi registrado na área de Chernobil à 1:23:39. Este evento poderia ter sido causado pela explosão ou poderia ser coincidente. A situação é complicada pelo fato de que o botão de parada total foi pressionado mais de uma vez, e a pessoa que o pressionou morreu duas semanas após o acidente, envenenada pela radiação.
Sequência de eventos
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26 de abril de 1986 - Acidente no reator 4, da Central Elétrica Nuclear de Chernobil. Aconteceu à noite, entre 25 e 26 de abril de 1986, durante um teste. A equipe operacional planejou testar se as turbinas poderiam produzir energia suficiente para manter as bombas do líquido de refrigeração funcionando, no caso de uma perda de potência, até que o gerador de emergência, a óleo diesel, fosse ativado. Para prevenir o bom andamento do teste do reator, foram desligados os sistemas de segurança. Para o teste, o reator teve que ter sua capacidade operacional reduzida para 25%. Este procedimento não saiu de acordo com planejado. Por razões desconhecidas, o nível de potência de reator caiu para menos de 1% e por isso a potência teve que ser aumentada. Mas 30 segundos depois do começo do teste, houve um aumento de potência repentina e inesperada. O sistema de segurança do reator, que deveria ter parado a reação de cadeia, falhou. Em frações de segundo, o nível de potência e temperatura subiram em demasia. O reator ficou descontrolado. Houve uma explosão violenta. A cobertura de proteção, de 1000 toneladas, não resistiu. A temperatura de mais de 2000°C, derreteu as hastes de controle. A grafite que cobria o reator pegou fogo. Material radiativo começou a ser lançado na atmosfera.
de 26 de abril até 4 de maio de 1986 - a maior parte da radiação foi emitida nos primeiros dez dias. Inicialmente houve predominância de ventos norte e noroeste. No final de abril o vento mudou para sul e sudeste. As chuvas locais frequentes fizeram com que a radiação fosse distribuída local e regionalmente.
de 27 de abril a 5 de maio de 1986 - aproximadamente 1800 helicópteros jogaram cerca de 5000 toneladas de material extintor, como areia e chumbo, sobre o reator que ainda queimava.
27 de abril de 1986 - os habitantes da cidade de Pripyat foram evacuados.
28 de abril 1986, 23 horas - um laboratório de pesquisas nucleares da Dinamarca anunciou a ocorrência do acidente nuclear em Chernobil.
O "sarcófago" que abriga o reator 4, construído para conter a radiação liberada pelo acidente.
29 de abril de 1986 - o acidente nuclear de Chernobil foi divulgado como notícia pela primeira vez, na Alemanha.
até 5 de maio 1986 - durante os 10 dias após o acidente, 130 mil pessoas foram evacuadas.
6 de maio de 1986 - cessou a emissão radioativa.
de 15 a 16 de maio de 1986 - novos focos de incêndio e emissão radioativa.
23 de maio de 1986 - o governo soviético ordenou a distribuição de solução de iodo à população.
Novembro de 1986 - o "sarcófago" que abriga o reator foi concluído. Ele destina-se a absorver a radiação e conter o combustível remanescente. Considerado uma medida provisória e construído para durar de 20 a 30 anos, seu maior problema é a falta de estabilidade, pois, como foi construído às pressas, há risco de ferrugem nas vigas.
1989 - o governo russo embargou a construção dos reatores 5 e 6 da usina.
12 de dezembro de 2000 - depois de várias negociações internacionais, a usina de Chernobil foi desativada.
Helicópteros jogam água e tentam resfriar reator no Japão
País tenta conter superaquecimento em Fukushima, a fim de evitar uma tragédia radioativa
Helicópteros das Forças Armadas do Japão sobrevoaram nesta quinta-feira (17), ainda noite de quarta-feira (16) no Brasil, a usina nuclear de Fukushima, lançando água no reator 3. A operação pretende esfriar as barras de combustível, que correm o risco de derretimento, após o superaquecimento do complexo.Todos os seis reatores da usina apresentam problema. Nesta quarta-feira, o reator 4 registrou duas explosões. Além disso, um caminhão-cisterna equipado com um canhão de água foi deslocado para a área.
Segundo informações da agência Kyodo, quatro helicópteros realizam a operação.
A operação é parte de mais uma tentativa desesperada dos técnicos japoneses para conter um desastre ainda maior na central, danificada pelo forte terremoto seguido de tsunami, que atingiu o país há seis dias.
A AIEA (agência nuclear da ONU) também divulgou nota dizendo que a temperatura nos reatores 5 e 6 está subindo.
EUA dizem que acidente é pior do que Japão esperava
Mais cedo, o diretor da Comissão Reguladora Nuclear americana, Gregory Jaczko, disse que o acidente nos reatores nucleares de Fukushima 1 é pior do que os japoneses esperavam.
A autoridade dos EUA disse que a radiação em torno do reator 4 da central japonesa chegou a um nível “extremamente alto”.
Ele explicou que a piscina de armazenamento de combustível usado no reator 4 da usina nuclear japonesa Fukushima não tem mais água, o que gera níveis de radiação "extremamente altos”.
Diretor de agência nuclear da ONU mostra preocupação
Mais cedo, o diretor geral de energia nuclear da AIEA (agência nuclear da ONU), Yukiya Amano, disse que vai viajar para o Japão “o quanto antes possível". Ele está preocupado com a situação das usinas nucleares japonesas e vai verificar como a ONU pode ajudar o país.
Amano disse a jornalistas que "a situação é muito séria".
Cerca de 200 mil pessoas foram retiradas de um raio de 20 km da usina de Fukushima. A radiação já chegou a Tóquio.
Governo diz que não há risco imediato
O governo do Japão assegurou nesta quarta-feira (16) que o nível atual de radiação além do perímetro de 20 km já esvaziado ao redor da usina nuclear de Fukushima não representa "um risco imediato para a saúde".
O porta-voz do governo, Yukio Edano, disse em entrevista coletiva que o nível de radioatividade entre 20 km e 30 km da central, área na qual foi pedido que os moradores permaneçam em casa e com as janelas fechadas, não tem efeito prejudicial direto.
Edano afirmou ainda que os responsáveis da usina continuam trabalhando "com todo o apoio dos setores relevantes" para tentar reduzir a temperatura dos reatores da central, onde nesta quarta-feira ocorreu um novo incêndio no edifício do reator 4 e foram vistas grandes colunas de fumaça procedentes do reator 3.
quarta-feira, 16 de março de 2011
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