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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Desmatamento na Amazônia volta a crescer

Nos cinco meses que se seguiram à menos taxa de desmatamentoda Amazônia em 22 ano, o ritmo das motosserras no floresta voltou a crescer. Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicaram aumento de 11% no abate de árvores entre agosto e dezembro de 2010, comparado ao mesmo periodo do ano anterior.

domingo, 7 de março de 2010

Desmatamento na Amazônia em dois meses equivale a 34 mil campos de futebol

O desmatamento na Amazônia chegou a 247,6 km2 entre outubro e novembro de 2009, o equivalente a 34.678 campos de futebol. Apesar disso, levando em conta a comparação com o ano anterior, esse número apresentou redução.

Esses dados se referem ao desmatamento registrado pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que usa informações de satélites e é influenciado, entre outros fatores, pela quantidade de nuvens existentes na região durante o período. Ou seja, se há muita nebulosidade o sistema pode não detectar o desmatamento. Em dezembro do ano passado nem foi possível fazer a medição por causa da quantidade de nuvens.

Em outubro, a destruição ficou em 175,5 km2, com 23% da região coberta por nuvens, enquanto no mesmo mês de 2008 esse número foi de 541 km2, com nebulosidade em 27% da Amazônia Legal. Já em novembro o número foi de apenas 72,1 km2, mas 51% da área estava coberta, o que influencia bastante na medição. Em novembro de 2008 o Deter havia detectado desmatamento de 355 km2, com 63% da área coberta.

Em novembro de 2009, acompanhado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou que a Amazônia teve o menor nível de desmatamento em 21 anos entre agosto de 2008 e julho do ano passado. O período de agosto de um ano a julho do ano seguinte é o ano-calendário para a medição do desmatamento na região. Nesta segunda-feira (1º) ele já havia adiantado que o ritmo de queda continua.

– Diziam que a gente estava reduzindo o desmatamento por sorte. Chegamos a um mínimo recorde e os números mostraram o tamanho do esforço do governo.

Terra fica mais quente e coloca espécies em perigo

Ação humana, com emissões de CO2, faz com que temperatura no planeta fique maior
Fábricas queimando carvão, carros usando gasolina, o desmatamento atingindo florestas como a Amazônica: todas essas ações humanas estão causando um fenômeno chamado aquecimento global, que é o aumento da temperatura aqui na superfície da Terra.

Dados do programa norte-americano para mudança climática indicam que a temperatura global vem aumentando em 0,16ºC por década desde 1979 – parece pouco, mas mesmo esses pequenos índices podem ter um efeito devastador na vida na Terra.

O aquecimento global é uma mudança climática causada por vários fatores. Durante os últimos 2.000 anos, o clima da Terra se manteve relativamente estável.

Os cientistas identificaram apenas três grandes turbulências que alteraram dramaticamente o clima, como uma pequena Era do Gelo (1.500 a 1.850), uma anomalia climática durante a Idade Média (900 a 1.300) e a Era Industrial, em que o número de fábricas e indústrias cresceu de modo dramástico, principalmente nos últimos cem anos.

Até o começo da Era Industrial, o efeito estufa era causado por erupções vulcânicas e por mudanças na órbita da Terra, na intensidade do Sol, na concentração de gases do efeito estufa e nas correntes marítimas. Mas, nos últimos anos, os pesquisadores descobriram que a média global de temperatura durante as últimas décadas foi maior que a dos últimos 400 anos.

Evidências também revelam que, em alguns lugares do mundo, as temperaturas foram mais altas durante os últimos 25 anos do que nos últimos 1.100 anos. Os oito anos mais quentes de que se tem registro (desde 1880) ocorreram todos desde 2001, sendo que em 2005 ocorreu o ápice.

"Vilão"

Os chamados gases do efeito estufa são considerados os "vilões" dessa história. Dentre esses gases está CO2 (dióxido de carbono), que é emitido pela queima do carvão (usado para gerar energia nas fábricas, por exemplo) e dos combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel, além de outros processos.

Os gases-estufa são necessários para a vida, já que mantém a superfície da Terra aquecida, mas à medida que a concentração deles aumenta na atmosfera, a temperatura no planeta tem subido no planeta. Essas substâncias impedem que o calor se dissipe, em algo similar ao que os vidros fazem em uma estufa.

Mar alto

Um dos principais efeitos dessa mudança no clima da Terra é a elevação do nível do mar, que poderá inundar uma parte do litoral de todo o planeta. O nível do mar vem aumentando 1,7 mm por ano nos últimos cem anos, uma velocidade maior do que a média de milhares de anos.

Dependendo do aumento dos gases do efeito estufa, os cientistas dizem que o mar poderia subir entre 18 cm e 59 cm nos próximos anos. Isso pode ter um efeito catastrófico: o IPCC (Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas) diz que, se houver um aumento como esse, as ilhas Maldivas, um paradisíaco arquipélago localizado ao sul da Índia, podem se tornar inabitáveis.

O governo local já cogita inclusive comprar um território em outra região do mundo para "fugir" do aquecimento global.

Pragas

O aumento da temperatura também devem interferir diretamente na saúde da população, principalmente no que se refere a doenças que aparecem em regiões mais quentes do planeta e são transmitidos por mosquitos e outros insetos, como dengue, malária e febre amarela. O IPCC afirma, por exemplo, que a população que vive sob o risco dos mosquitos do gênero Anopholes, que transmitem malária, podem crescer em até 400 milhões no próximo século.

Também devem ocorrer mais doenças respiratórias, já que o aquecimento deve acelerar a ocorrência do chamado smog fotoquímico, que aumenta a concentração de ozônio na superfície da Terra – a substância agride o tecido do pulmão, sendo especialmente prejudicial para a asma outras doenças pulmonares.

Espécies de plantas e animais também serão afetados por esse processo, já que a temperatura é um aspecto importante para os processos biológicos das espécies.

O IPCC afirma que entre 20% e 30% das espécies analisadas podem estar em risco de extinção caso as temperaturas médias da Terra aumentem entre 2ºC e 3ºC nos próximos cem anos, em relação aos níveis existentes antes da Revolução Industrial.

Com esse cenário, há um debate político sobre metas para reduzir as emissões de CO2 na Terra, mas os países ainda não chegaram a um acordo sobre as metas e os prazos de redução – há uma discussão sobre a responsabilidade dos países desenvolvidos, acusados de serem os responsáveis históricos por esse processo, e as nações em desenvolvimento sobre quem deve adotar regras mais rígidas para a emissão de gases do efeito estufa.

O IPCC recomendou em seu relatório de 2007 que países desenvolvidos cortassem entre 80% e 95% de suas emissões até 2050, para evitar mudanças climáticas "desastrosas".

O próximo capítulo dessa batalha está marcado para dezembro em Copenhague, na Dinamarca, quando os países vão discutir a adoção de um acordo para o corte de emissões.

A reunião deve discutir um tratado que substitua o de Kyoto, firmado em 1997 e que expira em 2012 – o acordo previa metas para reduzir as emissões as emissões de países desenvolvido, mas poupava os em desenvolvimento, como o Brasil, o que reduziu muito os seus efeitos. Além disso, os Estados Unidos não assinaram o protocolo, tornando-o ainda mais ineficaz.

Com o novo tratado, espera-se conseguir um acordo com mais países, com o objetivo de evitar que a temperatura da Terra aumente mais de 2º em relação aos níveis pré-industrial – acima deste nível, é esperado que as consequências da mudança climática sejam irreversíveis.

Lula diz que Brasil nunca terá desmatamento zero

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou nesta terça-feira (6) que o Brasil adote uma meta de acabar definitivamente com o desmatamento no país. Ele disse que isso não poderia ser feito “nem que o Brasil fosse careca”.

Desmatamento na Amazônia cai ao menor nível em 21 anos

A Amazônia registrou o menor desmatamento em 21 anos, uma queda de cerca de 45% em um ano, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) anunciados nesta quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Entre agosto de 2008 e julho deste ano, foram destruídos 7.008 quilômetros quadrados de floresta. O período de agosto de um ano a julho do ano seguinte é o ano-calendário para a medição da destruição da floresta.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, comemorou o anúncio:

- Estamos fazendo o dever de casa.

O desmatamento registrado no período 2008-2009 é o menor desde que o Inpe começou a divulgar números da devastação da Amazônia, em 1988. Também é a primeira vez, desde o início da medição, que a área desmatada fica abaixo dos 10 mil quilômetros quadrados.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Cicatrizes dos nossos erros


O asfaltamento das estradas da Amazônia apressa a devastação do verde e o ritmo de ocupação da floresta. Mas qual é a alternativa? O asfalto é a garantia de qualidade de vida para milhões de moradores da região
Vistas do alto, as estradas da Amazônia assemelham-se ao rastro da passagem de um furacão. Estima-se que 80% das áreas de floresta devastadas estejam a menos de 5 quilômetros de uma delas. Não se poderia esperar outra coisa dessas rodovias, pois elas foram criadas nos anos 70 precisamente para abrir caminho para a colonização. Quatro décadas depois, a Amazônia está malservida por estradas esburacadas, atoleiros e toda espécie de obstáculo ao trânsito de pessoas e cargas. Quase metade da malha rodoviária é considerada ruim ou péssima pela Confederação Nacional do Transporte. Outros 40% são apenas regulares. Tal situação coloca o Brasil diante de um dilema. Não se pode tolerar que uma região com o dobro do tamanho do México e habitada por 25 milhões de brasileiros fique à mercê de um sistema viário de padrão africano. Por outro lado, existe hoje a consciência de que a floresta precisa ser preservada e que cada estrada é um vetor de desmatamento. Elas não apenas atraem migrantes, mas também servem de ponto de partida para milhares de caminhos vicinais abertos por madeireiros, garimpeiros e agricultores. O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) calculou que as estradas não oficiais somam 170 000 quilômetros de extensão. Isso significa que, de cada 10 quilômetros de estrada na Amazônia, 7 foram rasgados ilegalmente no mato.

As grandes rodovias foram abertas pelo governo federal, que promoveu a ida de colonos para a Amazônia na década de 70. Hoje, depois de um prolongado período de abandono, as autoridades têm a obrigação de pôr essas vias em ordem, garantindo o bem-estar de quem mora nesses lugares. A dificuldade é como fazer isso e, ao mesmo tempo, impedir que a devastação avance. O governo federal já decidiu asfaltar as três principais estradas que rasgam a Floresta Amazônica - e, no que diz respeito à preservação, seja lá o que Deus quiser. Não precisaria ser assim. Duas das rodovias - a Transamazônica e a Cuiabá-Santarém - precisam do asfalto com urgência. Elas atravessam áreas densamente povoadas, já bastante desmatadas, e são necessárias para o desenvolvimento econômico e para melhorar a qualidade de vida da população que habita suas margens. O projeto da terceira, que liga Porto Velho a Manaus e atravessa uma região de floresta intacta, se parece demais com os erros do passado e faz total sentido que seja cancelado.

Manoel Marques{txtalt}
CAMINHO DAS ÁGUAS: Balsa navega no encontro dos rios Negro e Solimões: 90% das cargas transportadas na Amazônia vão de barco
Como a maioria das rodovias é de terra, a temporada de chuva torna o tráfego difícil, quase impraticável, durante metade do ano. Os produtores de grãos do Centro-Oeste brasileiro bem que gostariam de usar a BR-163, que liga Cuiabá, em Mato Grosso, a Santarém, no Pará, como corredor de exportação. Mas o asfalto só existe no trecho mato-grossense. Depois, são 937 quilômetros de estrada de terra. Durante o período de chuvas, os atoleiros impedem a passagem de veículos pesados. "Já demorei trinta dias para percorrer um trecho de 750 quilômetros", diz o caminhoneiro João Jua­rez Barão, um paranaense que transporta cerâmica para o Pará e retorna com madeira para o Sul e o Sudeste. Por isso, os grãos do norte de Mato Grosso são escoados pelos portos de Santos e Paranaguá, a mais de 2 000 quilômetros de distância. Isso atrasa a chegada da carga aos Estados Unidos e à Europa em pelo menos quatro dias. Estima-se uma perda de 480 milhões de reais por safra devido ao acréscimo no custo do frete. Mais de 800 000 pessoas vivem às margens da BR-163.

No norte de Mato Grosso, onde as chuvas são regulares e o terreno é plano, perfeito para a lavoura mecanizada, a área de influência da estrada engloba 50% da produção de soja do estado. Ali fica Sorriso, a capital mundial da soja, com produção de 2,5 milhões de toneladas por ano. No trecho paraense, onde o relevo é acidentado e o asfalto ainda é só uma promessa, os moradores passam longos períodos de isolamento. No inverno, época da chuva, os preços disparam devido aos custos do frete. "Os alimentos ficam, em geral, 40% mais caros", diz Henrique Borges, dono do mercado que abastece o município de Trairão, com 15 000 habitantes, a 350 quilômetros de Santarém. "A demora é tanta que não compensa trazer verdura para a cidade."